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Competitividade da economia brasileira

Tal como empresas, países que não sejam competitivos não crescem. Apesar de o consumo ser uma variável muito importante para o crescimento, ele não contribui diretamente para o aumento da competitividade. Investimento é a variável decisiva para a expansão da economia no médio e longo prazos. Infelizmente, em março, o IBGE divulgou que os investimentos no país caíram pelo 11º trimestre consecutivo. Em 2016, apresentamos a mais baixa taxa de investimento entre os países emergentes, com 16,4% do PIB. Contra 17,4% da Argentina, 20,2% da África do Sul, 20,5% do Chile, 21,7% do México, 28,1% da Índia, 32,8% da Indonésia e 42% da China.

Em infraestrutura, um grande gargalo para o crescimento, investimos no último ano apenas 1% do PIB contra uma média de 2,8% na América Latina e Caribe, segundo levantamento do Banco Mundial. O que vem agravar ainda mais um quadro que mostra o Brasil em grande desvantagem em relação a outros países, no que se refere ao estoque de infraestrutura. Enquanto aqui ele corresponde a apenas 16% do PIB, nos EUA representa 64%, na Alemanha, 71%, na China, 76%, na África do Sul, 87%, no Japão, 179%.

Investimento depende do índice de confiança, das perspectivas de retorno e em boa medida da taxa de poupança do país. No Brasil, essa taxa tem sido decrescente. Na década passada chegou perto dos 20% do PIB, mas em 2015 caiu a 14,4%, contra 19,9% no México, 20,4% no Chile, 21,6% no Peru, 23,4% na Rússia, 28% na Malásia, 32% na Índia, 32,5% na indonésia e 46% na China.

Esses números ajudam a entender porque o Brasil não cresce e porque estudos do Banco Mundial continuam nos enxergando na lanterna nos rankings de crescimento, atrás de países emergentes e de países desenvolvidos. A reversão desse quadro começa pelo ajuste fiscal, onde gastos públicos mais eficientes permitam redução de carga tributária, crescimento da poupança e aumento de investimentos (25% do PIB com 5% em infraestrutura). Para isso, as reformas precisam andar o que depende em grande parte de se desmontarem trincheiras construídas dentro da máquina pública do país para defender privilégios e concepções arcaicas sobre o papel do Estado.

 

 

Carlos Rodolfo Schneider, empresário e coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE); [email protected]

 

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