Coluna do dia

Tibieza política

A Presidência da República é uma instituição nacional. Quem a ocupa tem um poder enorme de influenciar os rumos do país. Por si só, a visita de um presidente a um Estado fora do eixo Rio-São Paulo-Brasília deveria constituir-se num acontecimento importante. Não é mais. Hoje, 16, o presidente Michel Temer estará em Santa Catarina. Na comitiva presidencial, vêm pelo menos quatro ministros. Entre eles, o catarinense Vinícius Lummertz, do Turismo.

Mas a agenda assinala apenas um único compromisso. Temer e companhia virão exclusivamente para a abertura oficial do 90º Encontro Nacional da Indústria da Construção, no Centro de Convenções Luiz Henrique da Silveira, em Canasvieiras, Nortes da Ilha de SC. O evento começa às 18h30min. A presença presidencial é esperada para 19h30min.

Por um lado, Temer amarga, segundo pesquisa recente da CNT/MDA, apenas 4,3% de aprovação. Mas nem isso justifica tamanha apatia política dos catarinenses.

Até ontem, presidente e ministros não tinham agendado nenhum encontro político no estado e olha que o MDB é o partido de Temer e do atual governador, Eduardo Pinho Moreira, assim como do próprio Vinícius Lummertz. Fica muito claro que fracassou a tentativa de aproximação entre Moreira e Temer. Também significa que a representação catarinense em Brasília segue na mesma toada: sem força política no contexto nacional.

 

Cargos no Judiciário

Os projetos que transformam cargos no Ministério Público e que criam 462 cargos no Judiciário foram avaliados, ontem, na Comissão de Constituição e Justiça da Alesc. Os deputados Mauro de Nadal (MDB) e Dirceu Dresch (PT) pediram vistas em gabinete das matérias. Significa que os projetos muito provavelmente não serão aprovados esta semana. O clima é favorável às pretensões do TJ e do MP, mas não há data definida para a apreciação das propostas.

 

Desalento geral

De acordo com a mais recente pesquisa CNT/MDA, o percentual de eleitores que pretendem votar em branco ou nulo nestas eleições bate em 29,6%, um índice altíssimo. Se somarmos a esse grupo o time dos que se declaram indecisos (16,1%) teremos uma fatia de 45,7% do eleitorado. É um percentual bem maior do que os números somados dos três primeiros colocados – Bolsonaro, Ciro e Marina – que têm, juntos, 38,5% da preferência.

 

Na UTI

O AVC sofrido pelo deputado Leonel Pavan (PSDB), na segunda de manhã, mobilizou as atenções de boa parte do meio político no começo da semana. Vários líderes foram pessoalmente conferir a situação do ex-governador, que é delicada. Ontem, as informações médicas indicavam que o tucano estava estável, mas na UTI e respirando com ajuda de aparelhos. O estado do político é grave.

 

Foco na recuperação

Ele foi acometido de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) Hemorrágico. Antes do ocorrido, Pavan estava na estrada, tentando articular algum espaço  majoritário para outubro, inclusive uma primeira suplência ao Senado. O parlamentar vinha sendo desaconselhado a tentar a reeleição à Alesc.

 

Dois gumes

A MP 220, uma verdadeira tratorada atrapalhada do governo, pode ter dado status positivo para Eduardo Moreira junto à indústria. Na outra ponta, setores do comércio não querem nem ouvir falar do emedebista e aplaudem os deputados que tiveram a coragem de não aprovar a MP que aumentaria a carga tributária em Santa Catarina.

 

Contornando

Sentindo o desgaste, Eduardo Moreira chamou, na segunda à tarde, representantes do setor atacadista e, por decreto, reduziu a alíquota de ICMS para o setor de 17% para 12%. Evidentemente, o governador, que pode disputar a reeleição, agradou o setor.