Coluna do dia

Oito dias de delação

Oito dias de delação

Impressiona, sob praticamente todos os aspectos, a delação premiada do ex-líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral. As partes que já vazaram escancararam o teor explosivo das informações, mas há ainda muito por vir. O senador forneceu detalhes incríveis durante oito dias de delação, depondo quatro horas pela manhã e outras quatro à tarde.

Quem trabalha na Lava Jato não tem dúvida. Foi a mais longa e detalhada delação de todo o processo até agora. Também chamou a atenção dos investigadores a riqueza de detalhes, a memória prodigiosa de Delcídio e sua organização. Ele anotava e documentava praticamente tudo. O ex-petista também foi submetido a formas diferentes de inquérito sobre os mesmos temas. E não caiu em contradição! Segundo o delator, Lula da Silva era o chefe da quadrilha que drenou bilhões da Petrobrás e Dilma sabia de absolutamente tudo.

 

Campanha na mira

Outro ponto de forte preocupação para o governo: as delações de Delcídio e do ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otavio Azevedo são complementares. E justamente no ponto em que o mandato de Dilma pode ir para a guilhotina: as doações de dinheiro desviado da Petrobrás para as campanhas de 2010 e 2014.

 

Cada um na sua

Enquanto Delcídio detalhou a parte política da roubalheira, o empreiteiro entregou a parte operacional (como pagamentos) do esquemão que irrigou as arcas do PT. Importante lembrar que agentes políticos de outros partidos, principalmente do PMDB e do PP, também participaram do butim.

 

Não se sustenta

A coluna já vem alertando há tempos que dificilmente Aécio Neves se sustentará como candidato tucano à presidência em 2018. Um capítulo da delação premiada de Delcídio do Amaral é reservado ao mineiro. O ex-petista confirmou informação do doleiro Alberto Yousseff, de que Aécio recebia propina de Furnas, empresa de economia mista e subsidiária da Eletrobrás.

 

Pioneirismo

Único representante de Santa Catarina na comissão que analisará o processo de Impeachment da presidente Dilma Rousseff, o presidente estadual do PMDB, Mauro Mariani, esteve reunido com as bases peemedebistas da região Sul, na sexta-feira (18) e no sábado (19). Mariani participou de reuniões de consolidação de candidaturas, entrevistas à imprensa e encontros partidários. Em todas suas participações reforçou a posição do PMDB de SC, primeiro partido a desembarcar oficialmente do governo federal, agora seguido por mais de dez estados, como Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Piauí, Acre, Pernambuco, Tocantins, Maranhão, Bahia e Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal.

 

Menos uma

Quem está exercendo o mandato enquanto João Paulo Kleinübing (PSD) pilota a Secretaria de Estado da Saúde é a comunista Angela Albino, que vota contra o impeachment de Dilma. Ou seja, o Planalto perde mais uma aliada nesta disputa, onde cada voto é preciosíssimo, se JPK se afastar do cargo estadual e retornar à Câmara, onde ele já declarou que vota pelo impedimento da petista.

 

No ar

A família Amin – Esperidião, Angela e João (PP) – marcou presença na festa de aniversário do deputado João Rodrigues, em Chapecó. Em seus discursos, tanto o ex-governador como o parlamentar do PSD deixaram no ar a possibilidade de parceria eleitoral num futuro breve. Gelson Merísio, presidente estadual do PSD, presenciou tudo.

Sair da versão mobile