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A importância de um “PhD” no serviço público: meritocracia, eficiência e respeito ao contribuinte

 

Muito se discute sobre a necessidade de modernizar o serviço público. Fala-se em eficiência, controle interno, inovação, publicidade e melhores resultados para o pagador de impostos. No entanto, um ponto fundamental ainda recebe pouca atenção efetiva: a valorização real da qualificação técnica e da meritocracia dentro da administração pública. Nesse contexto, a presença de servidores com PhD (Doutorado) no serviço público deve ser compreendida não como privilégio, mas como investimento estratégico no interesse da sociedade, para uma melhor prestação de serviços públicos.

O doutorado representa um processo rigoroso de formação intelectual, pesquisa aplicada e criação de conhecimento, fundado em muito estudo, após anos de dedicação. Um servidor público com PhD não possui apenas um título acadêmico, mas desenvolveu competências em análise crítica, solução de problemas complexos, avaliação de políticas públicas e precisa tomada de decisões. Essas formações/experiências são fundamentais para um país que precisa responder a mudanças sociais cada vez mais graves e inesperados nas áreas de saúde, segurança, educação, ciência e tecnologia, políticas sociais e gestão pública.

Possibilitar e viabilizar o reconhecimento da meritocracia significa reconhecer o esforço, a qualificação e o desempenho do servidor público. Quando o poder público cria ambientes que estimulam a formação continuada, inclusive em nível de especialização, mestrado e doutorado, acendem uma luz, de que o conhecimento técnico, a pesquisa e o mérito importam. Isso não apenas eleva a qualidade do serviço prestado à população, como também fortalece a motivação interna e a cultura de excelência nas instituições. Cria uma onde de otimismo, valorização e diminuição de casos de assédio, diminuem afastamentos médicos etc.

Outro ponto, diz respeito que a presença de doutores no serviço público aproxima a gestão estatal da produção científica, das universidades. Essa ponte entre as instituições superiores e a administração pública favorece políticas públicas mais estruturadas, projetos mais eficientes e maior capacidade de análise de resultados. Em tempos de poucos recursos, decidir com base em dados e evidências não é luxo: é responsabilidade e acima de tudo, necessidade.

Por fim, reconhecer e incentivar a qualificação de elevado grau, no serviço público é uma forma de respeito ao contribuinte, aquele que arduamente paga seus impostos. Uma administração composta por profissionais tecnicamente preparados tende a acertar mais, desperdiçar menos recursos e entregar melhores políticas públicas. Meritocracia, quando associada a critérios transparentes e ao interesse público, não é discurso: é instrumento de justiça administrativa e de fortalecimento do Estado democrático. Investir em pessoas qualificadas é investir em um serviço público mais eficiente, mais responsável e mais próximo das reais necessidades da sociedade.

Fernando Henrique da Silveira

PHD em Ciências Jurídicas e Sociais.

Advogado, funcionário público estadual, jornalista e radialista.

Presidente (gestões 2021 –
2023 e 2023 – 2025) e Vice-presidente (gestões 2019 – 2021 e
2025 – 2027), do Conselho Estadual de Entorpecentes de Santa Catarina – CONEN

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