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A meritocracia sufocada pelo poder político, econômico e ideológico

 

Na sociedade, nem sempre o melhor, o mais capacitado, ocupou os melhores espaços. A influência que seu sobrenome carrega, o seu poder econômico, sua relação social, proporciona que muitas portas se abram ou se fechem, dependendo do nível do prestígio e da influência no meio que vive.

Alcançar novos e melhores espaços é possível a todos, no entanto, o esforço, dedicação, persistência, estudo, devem ter grande visibilidade, tamanha, que supere até mesmo resultados já esperados nos meios de seleção profissional, artística, social, etc.

Não é incomum, no meio público e até no privado (em menor número), que a escolha de cargos de confiança/gestão, sejam baseados em critérios, exclusivamente políticos e por relações de amizade e parentesco.

A troca de favores impera no serviço público brasileiro, com o aparelhamento da máquina pública para favorecimento de pessoas e de grupos políticos.

Nos três poderes e demais instituições públicas e privadas ocorre à caracterização de tais situações, havendo, obviamente exceções.

Poderíamos apenas, para exemplificar, citar o que ocorre em relação à ocupação dos cargos de Conselheiro nos Tribunais de Contas, país a fora. Em grande parte, a maioria é oriunda dos meios políticos (ex-deputados, ex-senadores, etc.), bem como ocupado por esposas, filhas, enteadas de grandes figurões da política local. Poderíamos perguntar por que tal situação ocorre, para tanto, basta verificar a quem cabe legalmente os escolher. O sistema precisa ter critérios objetivos, transparentes e totalmente meritórios.

Igualmente, poderíamos nos perguntar, quem ocupa os cargos de conselheiro nas empresas públicas, nas estatais, que movimentam recursos gigantescos, calcados no esforço do contribuinte, no entanto, basta pesquisar a quem cabe a indiscriminada indicação. Como se sabe, não é incomum, a nomeação de ex-deputados, ex-prefeitos, ex-vereadores, etc.

Ora, por quais motivos ocorrem tais situações, que não seja a pura troca de favores políticos eleitorais.

Lamentável ver pessoas sem a mínima qualificação profissional e acadêmica, ocupando cargos de grande relevância, enquanto funcionários de carreira, aprovados em concursos públicos concorridos, com altíssima qualificação profissional e acadêmica, precisam se submeter a incompetência institucionalizada.

Todas as atividades profissionais são dignas, merecendo o devido respeito e valorização, no entanto, não é no mínimo aceitável, como ocorre em todo o país, a nomeação de pessoas analfabetas, com ensino fundamental/médio, para liderar equipes com diversos profissionais com graduação, pós-graduação, etc.

Quando tal fato ocorre, passa a acontecer uma série de problemas na instituição e na vida pessoal de cada um que ali atua. Profissionais qualificados se sentem desmotivados, desvalorizados, passando, em algumas vezes, a se enquadrar como um verdadeiro assédio moral. Existem pessoas em cargos comissionados, de confiança, que não sabem liderar uma equipe, não sabem fazer planejamento, não sabem dar eficiência aos recursos públicos e consequentemente, ao serviço prestado ao contribuinte brasileiro.

A meritocracia esta sendo sufocada pelo poder político, econômico e ideológico, o que afeta, entre outras tantas coisas, a produtividade das instituições públicas e privadas.

Nas universidades federais, a ampliação do número de cotas (em virtude de renda, origem de colégio público, etc.), vem sendo amplamente debatido, pois pelas notas divulgadas, muitas vezes, tem notas muito abaixo dos demais, que competem fora das cotas, o que parece afetar a qualidade dos aprovados, desconsiderando a meritocracia, que deveria ser baseada exclusivamente em quem mais estudou.

O texto busca apenas promover um debate, diálogo nas instituições, sem buscar ferir qualquer instituição ou cidadão; pelo contrário, busca valorizar e incentivar o aperfeiçoamento profissional e acadêmico, principalmente, através de ferramentas que possam garantir a MERITOCRACIA.

Fernando Henrique da Silveira

Advogado, funcionário público estadual (+ 30 anos), jornalista e radialista.

Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais.

Cidadão Honorário de Biguaçu, foi agraciado com moção de aplausos na Câmara de Vereadores de São José e com a medalha “Dias Velho” pela Câmara de Vereadores de Florianópolis.

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