Do ponto de vista político-eleitoral, o cenário que se desenha em Santa Catarina é raro: um governador em busca da reeleição praticamente sem adversários competitivos. No campo da oposição, não há, até aqui, um projeto consistente, estruturado e com musculatura política suficiente para tensionar o governo Jorginho Mello. João Rodrigues, citado com frequência como alternativa, encontra-se isolado, inclusive dentro do próprio PSD, incapaz de unificar forças ou construir uma narrativa estadual viável.
Mas se o ambiente político favorece, é na seara administrativa que o governo consolida, com mais solidez, o seu projeto de continuidade. A gestão Jorginho Mello tem sido marcada por entregas concretas, muitas delas históricas e aguardadas há décadas, em áreas sensíveis e estratégicas da administração pública.
Na Saúde, além do robusto mutirão de cirurgias eletivas — que enfrentou um gargalo crônico do sistema — o governo avançou em decisões estruturantes. A construção do Hospital Regional de Palhoça e a estadualização do Hospital Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú, representam não apenas obras físicas, mas uma mudança de paradigma na relação do Estado com a rede hospitalar regional. São ações feitas em parceria com os prefeitos Eduardo Freccia e Juliana Pavan, reforçando a lógica de cooperação institucional, não de disputa política.
Na Educação, o programa Universidade Gratuita talvez seja o exemplo mais emblemático de ousadia administrativa. Inédito, complexo e sujeito a ajustes — como todo grande programa público —, o projeto saiu do papel, está em funcionamento e já impacta diretamente a vida de milhares de estudantes. Trata-se de uma política pública de longo alcance social, que exigiu enfrentamento técnico, político e orçamentário, algo cada vez mais raro na administração pública brasileira.
Na Infraestrutura, os números falam por si. O próprio governador tem repetido, sem exagero, que Santa Catarina nunca investiu tanto em rodovias estaduais. São mais de 100 obras em andamento ou concluídas, entre implantações asfálticas, revitalizações, contornos, interseções e duplicações, com investimentos que superam os R$ 5 bilhões. Programas como o Estrada Boa recolocaram a infraestrutura viária no centro da agenda estadual, depois de anos de paralisia e improviso.
As entregas se estendem ainda à segurança pública, com reforço de efetivo, investimentos em equipamentos e valorização das forças policiais; à gestão fiscal, com equilíbrio das contas e previsibilidade orçamentária; e à relação com os municípios, marcada por diálogo direto, descentralização e respeito institucional.
LEVEZA NO AR
Há também um componente que pesa — e muito — na avaliação do governo: a ausência de escândalos envolvendo recursos públicos. Em um país anestesiado por denúncias quase diárias, esse dado não é irrelevante. Jorginho Mello construiu uma imagem de gestor zeloso, avesso a aventuras administrativas e atento ao uso do dinheiro público, em contraste direto com a farra fiscal, o aumento incessante de impostos e a profusão de escândalos que hoje dominam o noticiário nacional.
Santa Catarina, aliás, conhece bem os efeitos corrosivos de crises políticas e escândalos desde a redemocratização. Basta lembrar o caso da compra dos respiradores, que marcou negativamente o governo anterior; os escândalos ligados a fundos de pensão e bancos estaduais nos anos 1990; crises envolvendo obras públicas, contratos e gestão financeira em diferentes administrações; e episódios que chegaram a culminar em processos de impeachment, deixando cicatrizes institucionais profundas. Não é preciso exagerar nem panfletar: a memória política catarinense é suficiente para entender o peso da estabilidade atual.
É verdade que há tensionamentos naturais com órgãos de controle. O Tribunal de Contas cumpre seu papel constitucional, emite orientações e determinações, como sempre ocorreu em governos anteriores. Transformar isso em crise artificial é mais retórica de oposição do que fato político. Assim como também não prosperam tentativas de criar escândalos onde não há matéria-prima — esforços de “bocas alugadas” que não encontram eco nem nos fatos, nem na opinião pública.
O resultado é uma gestão considerada saudável do ponto de vista institucional, sem sangria de recursos públicos e com capacidade efetiva de entrega. Não por acaso, o desempenho do governo Jorginho Mello é reconhecido até por adversários políticos — um reconhecimento silencioso, mas revelador.
Em política, reeleição nunca é automática. Mas quando convergem ausência de adversários competitivos, entregas concretas, equilíbrio administrativo e estabilidade ética, os ventos, de fato, sopram a favor.
foto>Roberto Zacarias, Secom


