Estudo elaborado para a Acic aponta que expansão do empreendedorismo individual promove transformação na estrutura ocupacional da mesorregião
O crescimento acelerado do número de microempreendedores individuais revela uma nova dinâmica no mercado de trabalho no Sul do Estado. Essa transformação pauta um estudo elaborado pelos economistas Leonardo Alonso Rodrigues e Alison Fiuza, por iniciativa da Associação Empresarial de Criciúma (Acic).
Com base em dados oficiais, os especialistas analisaram especialmente a relação entre a evolução do emprego formal e o crescimento do empreendedorismo individual no período pós-pandemia. Além da mesorregião, o estudo envolveu os cenários estadual e brasileiro, contextualizando a estrutura ocupacional nas três esferas.
Os números mostram que o avanço dos microempreendedores vem ocorrendo de forma consistente na mesorregião. Ao mesmo tempo em que o ritmo de geração de empregos com carteira assinada apresenta sinais de desaceleração, cresce a participação dos MEIs como forma de ocupação e geração de renda.
“Quando analisamos apenas o emprego formal, podemos ter a impressão de recuo. Mas ao incorporar o crescimento dos microempreendedores individuais, percebemos que a participação da população em atividades econômicas continua em expansão”, explica Rodrigues.
Para Fiuza, o fenômeno indica uma mudança gradual na forma como as pessoas se inserem no mercado de trabalho. “Talvez não estejamos diante de um enfraquecimento do mercado de trabalho, mas sim do surgimento de uma nova dinâmica ocupacional”, afirma.
Avaliação
Para a presidente interina da Acic, Grasiela da Silva Moretto, acompanhar as transformações do mercado de trabalho é essencial para compreender os movimentos da economia regional.
“A Acic tem o papel de instigar o debate e compartilhar conhecimento que ajude a compreender diferentes aspectos do ambiente empresarial. Quando lançamos esse olhar sobre o mercado de trabalho, percebemos que a economia continua gerando oportunidades, ainda que sob novas formas de inserção produtiva. Esse tipo de análise fortalece o planejamento das ações”, considera.
O estudo completo está disponível para consulta no site da Acic.
Carteira assinada
O mercado de trabalho formal apresentou forte expansão no período imediatamente posterior à pandemia, entretanto, nos anos seguintes houve desaceleração gradual na geração de empregos com carteira assinada na mesorregião. Em 2025, o saldo registrado foi um dos menores do período recente.
Evolução
Enquanto isso, o número de MEIs explodiu, passando de pouco mais de 17 mil em janeiro de 2020 para quase 88 mil em janeiro deste ano no Sul catarinense. Foram 22.396 novos MEIs apenas entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.
Esse crescimento ocorre em diversos setores da economia, com destaque para os serviços. Entre 2020 e 2026, o número de MEIs no setor passou de 7,5 mil para mais de 45 mil registros. Entre as atividades com maior presença de microempreendedores estão serviços ligados à área da beleza, construção civil e comércio varejista.
Participação
“Assim como ocorre no Estado como um todo, observa-se que os MEIs vêm ganhando maior participação relativa dentro da estrutura de ocupação regional”, aponta Rodrigues.
Como não há disponibilidade de dados de taxa de desemprego para níveis municipais ou para regiões do Estado, os economistas construíram um indicador proxy de participação no mercado de trabalho.
Esse indicador corresponde à soma do estoque de MEIs e dos empregos formais, dividida pela população entre 18 e 64 anos. O cálculo mostra que Criciúma, a Região Carbonífera e o Sul catarinense apresentam crescimento consistente da participação da população em atividades de trabalho ao longo dos últimos anos.
Cenário estadual
O comportamento observado no Sul do Estado reflete uma tendência mais ampla registrada em Santa Catarina. Entre janeiro de 2020 e janeiro de 2026, o número de microempreendedores individuais no Estado passou de 132 mil para cerca de 698 mil registros ativos.
Ao mesmo tempo, o Estado apresenta um dos mercados de trabalho mais aquecidos do país, com taxa de desemprego de 2,2%, a menor do Brasil.


