A deputada federal Carol De Toni (PL-SC) apresentou um novo pedido à Procuradoria-Geral da República para afastar o ministro Dias Toffoli da condução dos processos relacionados ao caso Banco Master, diante de novos fatos e vínculos objetivos revelados nas investigações. O documento é assinado também pelos deputados Carlos Jordy (PL-RJ) e Adriana Ventura (Novo-SP).
A iniciativa ocorre após declarações públicas do procurador-geral da República, Paulo Gonet, à imprensa, afirmando que não teria sido formalmente provocado a se manifestar sobre o impedimento do ministro. Segundo a deputada, a afirmação não corresponde à realidade.
Em dezembro de 2025, Carol e os deputados Jordy e Adriana, protocolaram representação formal junto à PGR, acompanhada de provas e fundamentos jurídicos. O pedido foi arquivado pelo próprio procurador-geral, sem análise aprofundada do conjunto probatório e sem fundamentação adequada.
“Impedimento de magistrado é matéria de ordem pública. Não perde validade com o tempo e pode ser discutido a qualquer momento, especialmente quando surgem fatos novos”, afirmou a deputada.
O novo requerimento apresenta seis fundamentos objetivos, enquadrados no art. 252 do Código de Processo Penal, entre eles:
•Viagem privada do ministro com advogado diretamente ligado a investigados, seguida da centralização do processo e imposição de sigilo;
•Vínculo societário pretérito entre a esposa do ministro e advogado ligado ao controlador do Banco Master;
•Relações societárias entre familiares do ministro e parentes diretos de investigado preso no caso;
•Indícios de práticas ilegais no empreendimento Tayayá Resort, com denúncias de funcionários;
•Retirada da custódia das provas da Polícia Federal e escolha direta de peritos pelo relator;
•Transferência de ativos ligados ao empreendimento para offshore em paraíso fiscal, dificultando a fiscalização.
Carol reforça que as reportagens recentes do Estadão e do portal Metrópoles apontam contradições relevantes. Em uma delas, a cunhada do ministro negou que a residência da família tivesse vínculo com empresa ligada ao Tayayá Resort, apesar de registros oficiais na Junta Comercial indicarem o endereço como sede empresarial.
Para Carol De Toni, não se trata de interpretação política, mas de fatos documentados e públicos, que comprometem a imparcialidade exigida de um magistrado, sobretudo diante de interferências diretas na condução da investigação e na cadeia de custódia das provas.
“O que está em discussão não é opinião. É a preservação da imparcialidade judicial e da credibilidade do sistema de Justiça. Se o ministro não for considerado impedido, logo logo poderemos ver a anulação do processo e não é isso que queremos. Iremos até o fim, seja por meio da CPMI ou de cobranças formais para trazermos à tona a verdade e para punir os envolvidos no maior escândalo bancário da história do Brasil”, concluiu.


