O ex-governador Raimundo Colombo defende o diálogo como princípio da boa política e critica a radicalização ideológica que, segundo ele, tem agravado a divisão da sociedade: “O radicalismo gera ódio, intolerância e destruição, enquanto a política deve ser exercida com firmeza, respeito e capacidade de ouvir posições divergentes”.
Em entrevista à Rádio Menina, de Balneário Camboriú, Colombo afirma que para ele, a política passa por uma transformação profunda e exige mais preparo, estudo e responsabilidade.
Colombo diz que o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, desponta com potencial, ressaltando sua capacidade de comunicação e de apresentar propostas. Destaca ainda o trabalho de João Rodrigues à frente da Prefeitura de Chapecó.
Sobre o cenário eleitoral de 2026, Colombo diz não ter, neste momento, intenção direta de disputar cargos, mas não descarta a possibilidade caso possa contribuir com SC.
O ex-governador critica a possibilidade de candidaturas sem vínculo com o Estado, especialmente para o Senado, como é o caso do ex-vereador Carlos Bolsonaro. “Sou contrário à eleição de representantes que não conhecem a realidade catarinense, porque o Senado exige profundo conhecimento das demandas econômicas, sociais e estruturais de Santa Catarina, que possui quadros políticos qualificados e históricos de lideranças que ajudaram a construir o desenvolvimento. O eleitor precisa refletir com responsabilidade sobre o futuro político, priorizando compromisso, preparo e identidade com o estado. “É um ato de desamor para Santa Catarina.”
Ao avaliar o atual governo de Santa Catarina, Colombo afirma não concordar com a condução da gestão estadual, classificando-a como “medíocre”, com excesso de propaganda e poucos resultados concretos. Essa crítica se estende à divulgação de dados oficiais. Colombo questiona números apresentados pelo governo, especialmente na área da saúde, citando como exemplo a divulgação de mais de 1,2 milhão de cirurgias realizadas. Para ele, o dado não se sustenta quando confrontado com a população do Estado e com a falta de transparência sobre a metodologia utilizada.
Para Colombo, SC enfrenta um profundo desafio de infraestrutura com o aumento populacional. A BR 101, em evidente colapso, é o exemplo.
Para o ex-governador Colombo, Santa Catarina mantém indicadores positivos de segurança pública, mas isso não significa que o Estado esteja livre de riscos. Na sua avaliação, justamente por ser um dos estados mais organizados e economicamente fortes do país, Santa Catarina também se torna um dos mais visados pelo crime organizado, que enxerga na região oportunidades de expansão.
Colombo alerta que a criminalidade organizada hoje atua de forma estruturada, extrapolando a violência tradicional e avançando sobre setores da economia, da política e até do Judiciário. Segundo ele, trata-se de um fenômeno nacional e nenhum estado brasileiro está totalmente seguro, o que exige vigilância permanente e políticas públicas firmes.
Ao relembrar sua experiência como governador, Colombo destaca que o enfrentamento ao crime exige planejamento, investimento em inteligência, fortalecimento das forças de segurança e atuação integrada do Estado. Para ele, minimizar o problema ou ignorar sua gravidade é um erro estratégico.
Há ainda uma mudança demográfica profunda e preocupante que precisa entrar com urgência no centro do debate político. Segundo ele, o país caminha para um cenário em que, a partir de 2050, haverá mais pessoas com mais de 65 anos do que jovens com menos de 20, o que altera completamente a lógica das políticas públicas. Na avaliação de Colombo, esse novo perfil populacional exigirá investimentos crescentes em saúde, especialmente em atenção ao idoso, tratamentos de longa duração e estrutura hospitalar adequada.


