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Em dúvida sobre como prestar contas no IR 2026? Veja um guia prático para evitar erros na declaração

Com prazo aberto nesta semana, organização e atenção às regras ajudam a reduzir inconsistências e aumentam as chances de restituição nos primeiros lotes

Com o prazo de entrega do Imposto de Renda 2026 recém-aberto nesta semana, contribuintes de todo o país já começam a reunir documentos e se preparar para prestar contas à Receita Federal. O envio pode ser feito até 29 de maio, e quem perder o prazo está sujeito à multa mínima de R$ 165,74.

Quem se antecipa também ganha mais tempo para revisar informações, corrigir inconsistências e aumenta as chances de receber a restituição nos primeiros lotes.

Neste ano, um dos pontos que exige atenção é a nova faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil por mês. Apesar de já estar em vigor em 2026, a medida não impacta a declaração atual, que considera os rendimentos obtidos ao longo de 2025.

Segundo o economista e analista de mercado João Victor da Silva, da Orsitec, essa diferença ainda gera interpretações equivocadas.

“Muita gente acredita que, por estar isenta do imposto mensal agora em 2026, não precisa declarar. Mas a declaração enviada neste ano ainda leva em conta os rendimentos de 2025. A nova regra só terá efeito prático na entrega de 2027”, explica.

Outro ponto importante é que estar isento do pagamento do imposto não significa, automaticamente, estar dispensado da declaração.

“A obrigatoriedade depende de outros critérios, como patrimônio, investimentos e movimentações financeiras. Mesmo quem não paga imposto pode precisar prestar contas”, ressalta.

Pelas regras da Receita Federal, devem declarar em 2026 os contribuintes que, em 2025, se enquadrarem em pelo menos um dos critérios estabelecidos — entre eles renda, patrimônio, operações financeiras e ganhos de capital.

Quem precisa declarar em 2026

Devem entregar a declaração os contribuintes que, em 2025:

receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584

tiveram rendimentos isentos ou tributados na fonte acima de R$ 200 mil

realizaram operações em bolsa acima de R$ 40 mil

obtiveram ganho de capital

tiveram receita rural relevante

possuíam bens e direitos acima de R$ 800 mil

passaram a residir no Brasil ou possuem ativos no exterior

Organização é o primeiro passo — e o mais importante

Além de conhecer as regras, a organização dos documentos é um dos principais fatores para evitar problemas na hora de declarar.

Na prática, a maior parte dos erros não acontece no preenchimento em si, mas na falta de informações completas. Informes de rendimentos, comprovantes de despesas médicas e educacionais, dados de bens, investimentos e dependentes devem ser reunidos antes mesmo de acessar o sistema.

O guia também chama atenção para itens que costumam ser esquecidos, como valores recebidos por herança, indenizações, resgates de FGTS e operações em renda variável — incluindo ações, fundos imobiliários e até criptoativos.

O que separar antes de começar

Para evitar erros e agilizar o envio, o contribuinte deve reunir previamente:

Informes de rendimentos

bancos, corretoras e instituições financeiras

salários, pró-labore, aposentadoria e pensão

aluguéis e outros rendimentos

juros sobre capital próprio

Recebimentos especiais

doações e heranças

indenizações e acordos

resgates de FGTS

Carnê-Leão (autônomos)

Pagamentos e deduções

despesas médicas e odontológicas (com reembolsos)

gastos com educação

previdência social e privada

recibos de serviços prestados por pessoa física

Bens, dívidas e investimentos

imóveis, veículos e outros bens

ações, ETFs, FIIs e criptoativos

dívidas e financiamentos

Dados cadastrais

informações de dependentes

endereço atualizado

dados bancários

última declaração entregue

Organizar esses documentos com antecedência reduz o risco de inconsistências e facilita todo o processo de preenchimento

Completo ou simplificado: escolha impacta o resultado

Outro ponto que merece atenção é a escolha entre o modelo completo e o simplificado.

O desconto simplificado permite abater 20% da renda tributável, dentro do limite estabelecido pela Receita, e costuma ser mais vantajoso para quem tem poucas despesas dedutíveis. Já o modelo completo pode trazer melhores resultados para quem possui gastos elevados com saúde, educação ou dependentes.

Essa decisão, muitas vezes negligenciada, pode influenciar diretamente no valor final da declaração.

Entregar cedo dá mais margem para correções

O momento da entrega também influencia diretamente a experiência do contribuinte ao longo do processo.

De acordo com João Victor da Silva, enviar a declaração com antecedência é uma estratégia simples para evitar problemas.

“Quem declara antes tem mais tempo para revisar as informações, corrigir possíveis inconsistências e evitar contratempos. Já quem deixa para a última hora enfrenta mais dificuldade para reunir documentos e reduz a margem para ajustes”, afirma.

Além disso, declarar cedo aumenta as chances de receber a restituição nos primeiros lotes, melhora o planejamento financeiro e reduz o risco de cair na malha fina, como destaca o guia

No fim, o que faz diferença é o preparo. O período do Imposto de Renda exige atenção aos detalhes.

Organização, conferência de dados e entendimento das regras fazem diferença no resultado final — seja para evitar problemas com a Receita ou para garantir uma declaração mais eficiente.

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