“A perda de competitividade da indústria de SC nos mercados internacionais e a redução no nível de atividade econômica vão impactar especialmente os setores intensivos em mão de obra e que são mais sensíveis a preços tanto no exterior como no Brasil”, explica o presidente da FIESC, Gilberto Seleme. “Por isso, esse encontro do setor produtivo com os parlamentares é tão importante. A discussão sobre a redução da jornada de trabalho não pode ser feita de maneira apressada, pois as consequências são de grande relevância”, acrescenta.
Os setores de alimentos e madeira são exemplos de indústrias que seriam fortemente impactadas. “São grandes empregadoras e exportam boa parte de sua produção, enfrentando concorrência pesada no exterior. Por isso, são sensíveis a preços e contam com pouco espaço para absorver aumentos de custos como os que seriam provocados pela redução da jornada sem redução de salários”, diz Seleme.
O estudo mostra o efeito negativo para diversas cadeias produtivas importantes para a pauta de exportações de SC e projeta uma queda de 1,07% nas exportações do estado, com destaque para carne de aves (-3,3%) e carne suína (-3,1%), além de recuo de 2,6% nas vendas externas de madeira bruta e de 2,4% nas de produtos de madeira.
O coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, deputado Ismael dos Santos, avalia que é preciso avançar no debate de flexibilizar a jornada de trabalho, mas não da forma como está sendo conduzido o debate sobre o fim da jornada 6×1 por lei.
“Vai quebrar esse país. Tenho conversado com a indústria, o comércio e terceiro setor. É impossível a implementação e neste momento é uma proposta eleitoreira”, afirmou o deputado.
Competitividade ameaçada
O documento também aponta que o PIB do estado teria um recuo de 0,6% nos próximos dois anos. A projeção aponta que o PIB da indústria cairia 1,15% no período, com a região Oeste liderando as perdas (-1,39%). Esse resultado reflete não só o recuo nas vendas do estado ao exterior, mas também a perda de competitividade no mercado doméstico, com potencial aumento de importações.
“A participação de importados no mercado brasileiro passou de 13,4% em 2003 para 25% em 2023. Grande parte desses produtos vem de países com jornadas semanais superiores às do Brasil. Reduzir a jornada aqui sem ampliar a produtividade tende a resultar em menor produção e preços mais altos, ampliando ainda mais a perda de competitividade do produto brasileiro”, analisa o economista-chefe da Federação, Pablo Bittencourt, que coordenou a produção do estudo.
Embora esse aumento de custos possa refletir em salários maiores – aumentando o consumo -, esse incremento não seria suficiente para compensar a perda de competitividade. Isso porque a FIESC estima um aumento médio de preços em SC de 2,64%, com setores mais intensivos em mão de obra, como a construção civil, apresentando aumento de 4,26%. Outros destaques são alimentos (+3,6%) e vestuário (+3,57%), com impacto direto no consumo das famílias. De acordo com Seleme, outro efeito colateral, com reflexos sobre o emprego, poderia ser a substituição dos postos de trabalho por sistemas automatizados, sobretudo na indústria.
Deputados e senadores catarinenses recebem estudo sobre impactos da redução de jornada em evento em Brasília. (Foto: Alisson Aquino)


