O “Floripa Centro”, elaborado pelo renomado escritório dinamarquês Gehl Architects, reúne mais de 70 diretrizes urbanas e foi entregue ao município nesta quarta-feira (18).
As ruas de uma cidade se tornam mais agradáveis quando são pensadas para as pessoas. Árvores que criam sombra, bancos que convidam para uma pausa, cafés e comércio ativo no térreo dos prédios, além da presença constante de pedestres caminhando e ocupando os espaços.
Esses elementos que ajudam a transformar ruas de passagem em lugares de permanência, fazem parte do estudo “Floripa Centro: Repensando os Espaços Públicos para as Pessoas”, elaborado pelo escritório dinamarquês Gehl Architects, referência mundial em projetos urbanos voltados às pessoas, e entregue à Prefeitura de Florianópolis nesta quarta-feira (18).
A entrega oficial ocorreu no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC) e reuniu autoridades municipais, lideranças empresariais e especialistas em planejamento urbano.
O estudo apresenta mais de 70 diretrizes urbanas que apontam caminhos para transformar o coração da Capital, ampliando espaços para pedestres, estimulando a convivência nas ruas e incentivando formas mais sustentáveis de mobilidade, como pedalar e caminhar.
Financiado pelas entidades empresariais e entregue ao município como contribuição para o futuro da cidade, o projeto é fruto de uma parceria entre a Prefeitura, a Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF), a Câmara de Dirigentes Lojistas de Florianópolis (CDL) e o Laboratório de Urbanismo, Arquitetura e Turismo (LUA).
Para o prefeito Topázio Neto, a iniciativa representa uma oportunidade de repensar o Centro com olhar voltado para o futuro. “São projetos de curto, médio e longo prazo que trazem um plano de desenvolvimento urbanístico para Florianópolis. Nossa preocupação é como a cidade se organiza para crescer e como nós queremos vê-la quando completar 400 anos. Se você melhora os espaços públicos, você dá mais condições de saúde para a população”, enfatizou.
“O Centro tem um potencial extraordinário e precisa ser tratado como prioridade. Qualificar os espaços públicos, incentivar a caminhabilidade e reconectar a cidade com a água e com a natureza é o que sustenta uma vida urbana mais ativa e uma economia mais dinâmica”, afirmou o presidente da CDL Florianópolis, Eduardo Koerich.
Novos espaços com referência mundial
Entre as propostas está a requalificação da Rua Francisco Tolentino com uma praça-jardim integrada, que neste espaço, o trânsito de carros perderia o protagonismo. A proposta é transformar o local em um grande pulmão verde para o centro, com ponto de encontro, com áreas de lazer, comércio qualificado e espaços para feiras, incentivando a permanência e o uso cotidiano.
O estudo também mostra que ruas para pedestres são boas para os negócios. Uma referência é a New Road, em Brighton, no Reino Unido, que com a remoção de barreiras e sinalização reduziu a velocidade dos veículos, aumentando a segurança e o fluxo de pedestres em mais de 160%, mudança que impulsionou as vendas do comércio em mais de 33%.
A Rua Esteves Júnior também será transformada com o projeto inspirado no que deu certo em grandes centros. Atualmente é uma rua muito ocupada por crianças e área escolar, a ideia é promover mais integração, um deslocamento mais seguro com mais espaço para o lazer.
Visão de longo prazo
O estudo está estruturado em cinco estratégias principais: mobilidade sustentável, espaços e resiliência climática, bairros completos e inclusivos, projetar a cidade para as crianças e para o turismo sazonal.
Durante sete meses, o escritório dinamarquês Gehl Architects realizou levantamentos, análises e estudos que resultaram em um conjunto de ações integradas para orientar o futuro da cidade. As diretrizes incluem melhorias na conectividade urbana, travessias mais seguras, incentivo à mobilidade ativa e ampliação de áreas verdes, com o uso de espécies nativas.
De acordo com a arquiteta da Gehl Architects, Rute Nieto Ferreira, o estudo propõe uma cidade mais conectada e humana. “Nosso objetivo é oferecer um plano de ações que possa ser implementado ao longo dos próximos anos, promovendo uma cidade mais caminhável, com espaços públicos de qualidade, mais sombra, mais áreas verdes e melhor conexão entre os diferentes pontos do Centro. Florianópolis tem muito potencial, que observamos ao longo de todos os estudos e acredito ter espaço para apostar nessa concepção diferente e mais agradável de cidade”, explicou.
Mais do que um diagnóstico, a partir de agora o desafio é transformar diretrizes em ações concretas, consolidando um Centro mais acessível, dinâmico e preparado para o futuro de Florianópolis.


