Blog do Prisco
Manchete

João sabe que renúncia em abril é um salto no escuro. Risco de isolamento!

A quinta-feira impõe um teste de realidade ao prefeito de Chapecó, João Rodrigues. Ele se reúne com Carlos Chiodini (MDB), Esperidião Amin (PP) e Fábio Schiochet (União Brasil). Na pauta, as eleições de 2026 — e, sobretudo, o dilema clássico entre calendário legal e lastro político.

Rodrigues tem até 4 de abril para renunciar à prefeitura, caso queira disputar o governo. O problema é simples de enunciar e complexo de resolver: antes da renúncia, precisa de garantias; depois dela, não há garantias possíveis — apenas apostas.

O calendário eleitoral cria um hiato perigoso. A desincompatibilização encerra-se em 4 de abril; as convenções homologatórias vão até 5 de agosto. São cerca de 120 dias de incerteza. É esse intervalo que tira o sono do prefeito.

Na prática, Rodrigues buscará dos dirigentes uma sinalização “mais ou menos definitiva”. Quer reduzir o risco de deixar o cargo e, mais adiante, ver MDB e PP optarem por outro arranjo majoritário. Em linguagem direta: evitar ficar “com o pincel na mão”.

PP dividido

No PP, Esperidião Amin reassumiu o comando ao perceber o avanço interno pró-reeleição de Jorginho Mello. Mesmo após ser alijado da majoritária governista, tenta reorganizar o partido.

O obstáculo é conhecido: lideranças expressivas já gravitam em torno do Palácio. E, ainda que Amin conduza uma posição formal, ninguém assegura vitória na convenção.

MDB inclinado

Situação semelhante vive Carlos Chiodini. Nome natural para compor como vice em uma eventual chapa alternativa, acabou preterido quando o desenho governista avançou com Adriano Silva (Novo).

Chiodini sabe que o MDB, em sua maioria qualificada — especialmente entre mandatários —, prefere estar com Jorginho Mello, ainda que fora da chapa principal. E trabalha com um horizonte decisório que empurra a definição para junho — o que, para Rodrigues, pode ser tarde demais.

União federado

No União Brasil, o cenário é distinto. O partido não estruturou previamente um nome competitivo para a majoritária. Mas há um fator institucional incontornável: a federação com o PP.

Logo, qualquer decisão será conjunta — o que adiciona complexidade e reduz previsibilidade.

Força do governo

Enquanto a oposição potencial hesita, o governo avança.

Jorginho Mello combina articulação política com o peso da máquina — a “caneta” — e amplia sua base.

No MDB, o retrato é claro: a senadora Ivete da Silveira e o deputado federal Valdir Cobalchini já declararam apoio. Entre os federais mais relevantes, a adesão é majoritária.

Chiodini talvez conte com Rafael Pezenti — que, por sinal, tem ligação direta com a estrutura governamental.

Alesc

Na Assembleia Legislativa, o padrão se repete.

Antídio Lunelli — inclusive convidado à suplência na chapa de Carol De Toni —, Fernando Krelling e Jerry Comper orbitam o governador. No campo de Rodrigues, alinha-se Mauro De Nadal.

Progressistas

No PP, dois dos três deputados estaduais também se mostram mais próximos de fechar com o governo.

Salto no escuro

A equação é implacável.

Para ser candidato, João Rodrigues precisa renunciar agora.
Para renunciar com segurança, precisaria de garantias que, institucionalmente, só existem nas convenções — onde ninguém controla integralmente o resultado.

Ou seja: qualquer movimento, neste momento, se assemelha a um salto no escuro.

E é exatamente esse ponto que leva o prefeito a reavaliar timing e estratégia.

Conclusão

A reunião desta quinta-feira não decidirá 2026.

Mas definirá o grau de risco que João Rodrigues está disposto a assumir.

Sem uma sinalização robusta — ainda que informal — de MDB e PP, a candidatura nasce vulnerável.

Com ela, nasce desafiadora.
Sem ela, talvez nem nasça.

Sair da versão mobile