A semana começou em Santa Catarina com a expectativa de uma movimentação robusta na Assembleia Legislativa. Falava-se em até dez deputados estaduais prontos para mudar de partido na janela que se abre nesta quinta-feira e vai até 4 de abril — exatamente seis meses antes das eleições. Estamos falando da possibilidade de um quarto da composição do Parlamento em trânsito.
Mas, antes mesmo da abertura formal da janela, o principal movimento previsto foi sustado. E não por acaso.
O deputado Carlos Humberto, de Balneário Camboriú e região, permanece no Partido Liberal. A decisão foi sacramentada após longa conversa com o governador Jorginho Mello, tendo como testemunha o prefeito de Itajaí, Robison Coelho. Carlos Humberto vinha sendo cortejado insistentemente pelo governador.
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Trajetória
Aliado histórico, acompanha Jorginho desde os tempos do antigo Partido da República. No ano retrasado, foi impedido de disputar a prefeitura de Balneário Camboriú — era o nome natural do partido e favoritíssimo — após interferência direta de Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, que pressionaram para que o então prefeito Fabrício de Oliveira indicasse o sucessor. Um desastre, aliás.
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Fator decisivo
O desfecho é conhecido: Carlos Humberto apoiou Juliana Pavan, que venceu a eleição, e o PL perdeu uma das mais simbólicas prefeituras catarinenses.
Contrariado, o deputado já estava decidido a migrar para o PSD. Jorginho agiu. Garantiu-lhe protagonismo regional e a candidatura à reeleição sem a sombra de Fabrício de Oliveira — hoje secretário do Planejamento do Estado —, que deve deixar o PL e buscar abrigo no Republicanos para disputar vaga à Câmara Federal.
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Retorno
Com isso, Carlos Humberto reassume o comando partidário em sua base e permanece no PL. Movimento defensivo com efeito estratégico.
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Baixa isolada
A única perda efetiva do PL na Assembleia será Nilso Berlanda, de Curitibanos. Ele assinará ficha no Partido Social Democrático.
Trata-se, até aqui, da única defecção do arco de influência do governador em direção à oposição. Um movimento pontual, que não altera o eixo de poder no Parlamento.
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Reforço liberal
Se há uma saída, há múltiplas entradas nas fileiras liberais. Júnior Cardoso, hoje no Partido Renovação Democrática, já confirmou filiação ao PL. O mesmo caminho foi trilhado por Marcos da Rosa, que deixa o União Brasil.
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Alcance
A expectativa é que Jair Miotto também migre para a trincheira liberal. E há ainda Camilo Martins, atualmente no Podemos, em rota semelhante.
Se confirmadas essas adesões, o PL não apenas preserva Carlos Humberto como amplia significativamente sua bancada.
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Braço aliado
Parte dessas movimentações orbita o Republicanos, legenda que, na prática, funciona como extensão política do PL em Santa Catarina. O partido tem como principal liderança no Estado o deputado federal Jorge Goetten e conta com a vice-presidência de Juca Mello, irmão do governador.
Lucas Neves vai seguir para o Republicanos, e Sérgio Guimarães está muito perto de buscar o mesmo rumo. Só que a reunião de ontem com Fábio Schiochet abriu novas perspectivas, seguida de uma rodada com o presidente da Assembleia, Júlio Garcia. O PSD se comprometeu de reforçar a chapa do União Brasil.
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União esvaziado
O maior prejudicado pode ser o União Brasil, que ficaria apenas com Guimarães, perdendo dois parlamentares na Assembleia.
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Recalculando
Vicente Caropreso, que já havia sinalizado mudança em direção ao União, passou a repensar o destino. Chegar a uma sigla com bancada fragilizada seria um movimento de elevado risco. Ele próprio já conversou com Jorginho Mello.
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Base ampliada
Por fim, ainda há especulações em torno de Pepê Collaço, do Progressistas, que poderia aproveitar a janela e mudar de endereço.
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Coordenação
O que se vê é um movimento coordenado. Jorginho Mello está, politicamente, “fazendo a roça”: limpa dissidências, recompõe aliados estratégicos e amplia sua base parlamentar.
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Poder
A janela partidária, que tradicionalmente produz incertezas, desta vez tende a consolidar poder. E isso, evidentemente, não é um movimento isolado. É parte estruturante do projeto de reeleição do governador.
Em política, quem controla a janela controla o ambiente. E, ao que tudo indica, o Palácio Residencial já fechou a janela antes mesmo de ela se abrir.


