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O calvário do MDB-SC

A saída do prefeito de Jaraguá do Sul, Jair Franzner, do MDB é mais do que um movimento individual: é um sintoma claro da fase delicada atravessada pelo partido em Santa Catarina.

É verdade que o estopim imediato teve contornos locais, envolvendo tensões internas e desgaste político municipal. Ainda assim, o impacto extrapola Jaraguá do Sul. Franzner comandava justamente a principal cidade administrada pelo MDB catarinense entre os maiores municípios do Estado — e, na prática, a única de grande porte sob gestão emedebista. A perda desse ativo político-administrativo tem peso simbólico e estratégico.

Franzner deixou claro que não pretende se filiar a outra sigla nem disputar novos cargos. Seu foco é exclusivamente a sucessão municipal, encerrando a trajetória política ao fim do mandato. Mesmo assim, o gesto enfraquece o partido, pois retira do MDB um prefeito bem avaliado em um dos polos econômicos mais relevantes do Sul do país. Jaraguá do Sul tem indicadores industriais, sociais e de qualidade de vida que lhe conferem protagonismo nacional, o que ampliava a vitrine política da legenda.

O problema para o MDB é que a situação pode não parar por aí. Outro nome de peso ligado à cidade, o ex-prefeito e hoje deputado estadual Antídio Lunelli, também avalia o cenário. Ele foi o responsável por projetar Franzner como sucessor e mantém forte identidade com o eleitorado jaraguaense. Diante das incertezas partidárias, não está descartada uma eventual troca de sigla na janela partidária, o que aprofundaria a sangria regional.

Há ainda o caso de Carlos Chiodini. Embora atualmente com base política deslocada para Itajaí, onde disputou a prefeitura, sua origem e construção política também passam por Jaraguá do Sul. Presidente estadual do MDB, ele já não atua diretamente no principal reduto histórico do grupo, o que contribui para a sensação de esvaziamento da estrutura partidária local.

O resultado é uma desidratação evidente do MDB em um dos seus territórios mais emblemáticos em Santa Catarina. Jaraguá do Sul sempre foi vitrine de gestão, organização e força do setor produtivo — um ambiente onde o partido conseguia dialogar com o empresariado e com o eleitorado de perfil mais conservador e desenvolvimentista. Perder protagonismo ali tem reflexos que vão além das divisas do município.

No plano estadual, o episódio reforça a percepção de que o MDB enfrenta dificuldade para reter quadros relevantes e oferecer um projeto político claro e atrativo. Sem grandes prefeituras, com bancadas encolhendo e lideranças avaliando alternativas, o partido vê seu peso relativo diminuir justamente em um momento de intensa reorganização do tabuleiro para as próximas eleições.

A saída de Franzner, portanto, não é apenas administrativa nem meramente local. É um sinal político de alerta: o MDB catarinense corre o risco de perder densidade onde historicamente construiu força — e, se não reagir com rapidez e estratégia, pode entrar no próximo ciclo eleitoral ainda mais fragilizado.

Veja o vídeo no qual o prefeito explica porque deixou o Manda Brasa:

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