Blog do Prisco
Manchete

Em frangalhos, PSD vive incerteza eleitoral. E futuro em xeque!

A crise aberta no PSD de Santa Catarina ultrapassou o estágio das divergências internas e ingressou, definitivamente, no terreno da conflagração pública. O que antes era ruído de bastidor virou enfrentamento explícito entre suas principais lideranças — com efeitos diretos sobre o presente eleitoral e, sobretudo, sobre o futuro da sigla no Estado.

No epicentro desse terremoto político está a fragilidade crescente do projeto de João Rodrigues, que, mesmo após mais de dois anos de pré-campanha, não conseguiu consolidar musculatura suficiente para sustentar uma candidatura competitiva ao governo.

A trajetória de Gelson Merisio ajuda a entender o atual momento. Sua construção política passa diretamente pela influência de Júlio Garcia, hoje presidente da Assembleia Legislativa, e pelo convívio partidário com nomes como Raimundo Colombo, Jorge Bornhausen e o próprio João Rodrigues.

Proximidade

No Oeste, especialmente, Merisio e João Rodrigues chegaram a atuar em dobradinha eleitoral, consolidando bases regionais complementares. Foi nesse ambiente que Merisio ganhou densidade política até alcançar a presidência da Assembleia, fruto de uma engenharia construída por Júlio Garcia.

Divisão histórica

A própria Assembleia foi palco de um episódio que hoje ganha contornos simbólicos. Em uma costura política típica, o comando do Legislativo, por um período de dois anos, foi dividido: o primeiro ano com Jorginho Mello, à época no PSDB, e o segundo com Merisio.

Guinada

Merisio, naquele período, estava no PSD. Após a derrota no pleito de 2018, mudou de posição política e se aproximou do campo da esquerda. Hoje está filiado ao Solidariedade, mas em movimento rumo ao PSB (Partido Socialista Brasileiro).

Frente a frente

Portanto, agora, ambos se reencontram em campos opostos — Jorginho buscando a reeleição pelo PL, enquanto Merisio se movimenta para representar a frente de esquerda, tendo o PT como parceiro principal.

Fogo cruzado

O que poderia ser apenas uma disputa interna evoluiu para um verdadeiro embate entre correntes históricas do PSD. De um lado, João Rodrigues, cada vez mais pressionado. De outro, articulações que envolvem Jorge Bornhausen, Júlio Garcia e a possível volta de Raimundo Colombo como alternativa.

Roupa suja

A exposição pública dessas divergências rompe com um padrão histórico. Sob a influência de Bornhausen, conflitos dessa natureza sempre foram administrados com discrição e método.

Agora, o partido assiste a um processo de desgaste aberto, contínuo e, sobretudo, desorganizado — um verdadeiro “samba do crioulo doido”.

Candidatura frágil

O dado objetivo é incontornável: a pré-candidatura de João Rodrigues não decolou. Falta-lhe densidade política, alianças estruturadas e, principalmente, uma composição de chapa minimamente consistente.

Sem nomes competitivos para vice e Senado, o projeto perde viabilidade — e passa a ser questionado internamente com cada vez menos constrangimento.

Efeito dominó

A crise majoritária já começa a contaminar o plano proporcional. Pré-candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa observam o cenário com cautela crescente diante de um quadro de desarticulação evidente.

Sobrevivência

Ambiente instável, ausência de rumo claro e risco de isolamento político são fatores que tendem a provocar defecções. Ninguém quer vincular seu projeto eleitoral a uma estrutura que pode não se sustentar até a convenção.

Beneficiados

Nesse contexto, dois atores colhem dividendos imediatos. De um lado, Jorginho Mello, que avança sobre o espaço político deixado pela desorganização adversária. De outro, Gelson Merisio, que encontra terreno fértil para reposicionar a esquerda em um estado historicamente refratário a esse campo e majoritariamente conservador.

A fragmentação do PSD abre flancos — e, em política, flanco aberto é convite à ocupação. Simples assim.

Encruzilhada

O PSD chega, portanto, a um ponto crítico. Ou recompõe minimamente sua unidade e redefine com clareza seu projeto eleitoral, ou corre o risco real de não apenas fracassar na disputa majoritária, mas também comprometer sua própria relevância no cenário político catarinense.

Mais do que uma eleição, está em jogo a sobrevivência competitiva do partido em Santa Catarina.

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