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Coluna do dia

PSD ganha musculatura nacional e redesenha o tabuleiro em SC

A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD produz um efeito que vai muito além das divisas do Centro-Oeste. O movimento fortalece o projeto presidencial da sigla e, ao mesmo tempo, provoca um reposicionamento imediato das forças políticas em Santa Catarina, onde partidos que orbitavam uma alternativa nacional agora se veem diante do risco concreto de ficarem sem palanque competitivo ao Planalto.

Com Caiado, o PSD passa a reunir três governadores presidenciáveis: Eduardo Leite (RS), Ratinho Júnior (PR) e o próprio chefe do Executivo goiano. Já a federação formada por União Brasil e Progressistas (PP) — batizada de União Progressista — perde densidade no debate nacional e começa a olhar para 2026 com uma preocupação central: como manter protagonismo regional sem candidatura própria à Presidência?

O impacto em Santa Catarina é direto.

PSD é centro

A entrada de Caiado reforça o discurso do PSD de ocupar um espaço de centro, fora da polarização direta entre lulismo e bolsonarismo. O presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, já sinalizou que um eventual candidato do partido não fará campanha ancorada na oposição frontal ao governo Lula, mas sim na apresentação de uma alternativa moderada, de perfil administrativo e conciliador.

Será?

Na prática, o PSD tenta se vender como a legenda capaz de “furar a bolha” da polarização. O problema é que, até aqui, as pesquisas nacionais mostram um eleitorado que declara cansaço do embate ideológico, mas que, na hora de manifestar intenção de voto, continua se concentrando nos polos já conhecidos.

Palanque

Ainda assim, a estratégia tem um efeito colateral importante nos estados: oferece um palanque presidencial para alianças regionais.

União Progressista pode ficar sem palanque

Com a saída de Caiado, o União Brasil deixa de ter um nome viável ao Planalto. Isso afeta diretamente lideranças catarinenses da federação, como o senador Esperidião Amin (PP) e o deputado federal Fábio Schiochet (União Brasil). Sem candidatura presidencial própria, a federação corre o risco de entrar na eleição estadual sem uma referência nacional clara.

E, em eleições cada vez mais verticalizadas, isso pesa.

Conexão

A tendência histórica recente mostra que o eleitorado conecta voto nacional e estadual. Foi assim em 2018 e 2022, e tudo indica que o padrão vai se repetir em 2026. Ficar sem palanque presidencial competitivo significa perder tempo de TV qualificado, narrativa nacional unificada e capacidade de mobilização militante.

Caminho natural

Diante desse vácuo, cresce a probabilidade de uma aproximação da União Progressista com o PSD em Santa Catarina. A convergência é vista como mais natural do que uma aliança com o MDB. Há três fatores que empurram nessa direção:
1. Identidade ideológica e programática mais próxima entre o PSD e os partidos da federação.
2. Relações políticas já consolidadas em nível estadual.
3. Rivalidade histórica entre progressistas e MDB em Santa Catarina, que atravessa décadas e ainda influencia decisões estratégicas.

Sem palanque próprio, a federação tende a buscar abrigo em um projeto presidencial viável — e hoje o PSD oferece exatamente isso.

O peso da eleição nacional em SC

O histórico recente reforça a leitura de que o cenário federal molda o estadual. Em 2022, Santa Catarina reproduziu o ambiente nacional polarizado, com Décio Lima (PT) e Jorginho Mello (PL) protagonizando o segundo turno.

Reflexos

Para 2026, a expectativa é de nova influência direta do quadro presidencial sobre a disputa pelo governo catarinense. Caso a polarização nacional se mantenha, o estado tende novamente a se alinhar a campos bem definidos, reduzindo o espaço para candidaturas isoladas ou desconectadas de um projeto nacional forte.

Movimentações

Nesse contexto, a movimentação de Caiado para o PSD não é apenas troca de partido. É um passo que reorganiza alianças, pressiona adversários e antecipa, já agora, o desenho dos palanques em Santa Catarina.

A corrida estadual começou a ser moldada em Brasília — e passou, decisivamente, por Goiânia.

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