Plataforma reúne diagnóstico crítico da cidade e convoca a população a participar de um abaixo-assinado por mudanças nas políticas públicas municipais
Um movimento de mobilização cívica começa a ganhar força em Florianópolis com o lançamento da plataforma https://recuperarfloripa.com.br/ recuperarfloripa.com.br, um site que reúne diagnóstico, propostas e um chamado direto à participação da sociedade na discussão sobre os rumos da cidade.
Idealizado pelo Mestre em Sociologia Política, empresário e ex-deputado estadual Bruno Souza, o projeto nasce com a proposta de provocar debate público e pressionar por mudanças estruturais nas políticas municipais, especialmente em áreas como segurança pública, gestão urbana e abordagem à população em situação de rua.
A plataforma parte de uma pergunta direta à população: Florianópolis ainda é tão segura quanto já foi? O site reúne percepções e dados que, segundo os idealizadores, apontam para uma mudança significativa no cotidiano da cidade — com relatos frequentes de furtos, roubos, vandalismo e a presença cada vez mais visível de pessoas vivendo nas ruas em diferentes regiões da capital.
Entre os pontos destacados está o crescimento da população em situação de rua. De acordo com dados reunidos pela iniciativa, Florianópolis já ultrapassa 4.500 pessoas vivendo nas ruas, número considerado elevado quando comparado a outras cidades do estado. Joinville, por exemplo, que possui cerca de 100 mil habitantes a mais que a capital catarinense, registra aproximadamente 600 pessoas nessa condição.
O site também aponta que a capital catarinense passou a figurar entre as cidades brasileiras com maior número de moradores de rua proporcionalmente à população, levantando questionamentos sobre os fatores que explicariam esse cenário.
Segundo os idealizadores do projeto, o aumento da população de rua estaria relacionado principalmente ao avanço da dependência química e à eficácia limitada das políticas públicas atualmente adotadas. A análise apresentada na plataforma também chama atenção para o modelo de assistência social praticado na cidade e seus possíveis efeitos na dinâmica urbana.
Com base nesse diagnóstico, o site apresenta 12 medidas consideradas prioritárias para recuperar Florianópolis, propondo mudanças que, segundo os organizadores, podem contribuir para restaurar a sensação de segurança, organização urbana e qualidade de vida na cidade.
Mais do que um espaço informativo, a plataforma funciona como uma ferramenta de mobilização. A principal chamada da página convida os cidadãos a participarem de um abaixo-assinado online, que busca reunir apoio popular às propostas apresentadas e fortalecer a pressão social por mudanças nas políticas públicas.
Para Bruno Souza, a iniciativa surge da percepção de que os desafios urbanos da capital precisam ser debatidos de forma mais ampla pela sociedade. “A ideia é trazer o cidadão para o centro do debate sobre o futuro de Florianópolis, apresentando propostas concretas e incentivando a participação ativa da população”, afirma.
Assistente social de formação e mestre em Sociologia Política, Bruno Souza tornou-se conhecido por sua atuação crítica ao modelo tradicional de políticas assistencialistas no Brasil. Ao longo de sua trajetória, tem defendido propostas voltadas à emancipação social, à liberdade educacional e à responsabilidade
Ao reunir diagnóstico urbano, propostas de políticas públicas e um chamado à mobilização social, o Recuperar Floripa pretende se consolidar como um espaço de debate e participação cidadã sobre os desafios e o futuro da capital catarinense.
A plataforma já está disponível ao público e convida moradores, lideranças e organizações da sociedade civil a conhecer as propostas e participar da iniciativa.
Mais informações e acesso ao abaixo-assinado: recuperarfloripa.com.br
As 12 propostas para “Recuperar Florianópolis”
Entre as medidas apresentadas pela iniciativa idealizada por Bruno Souza estão:
1. Tempo limite de permanência nos albergues e fechamento do hotel para moradores de rua (esses equipamentos são grandes fatores de atração de pessoas de fora e incentivam a permanência indefinida nas ruas).
2. Campanhas contra a esmola (Florianópolis é a única cidade grande de Santa Catarina que não possui esse tipo de campanha. É fundamental convocar a população a ajudar de forma responsável, sem estimular a permanência nas ruas).
3. Mais guardas municipais nas ruas (Atualmente, cerca de metade do efetivo está deslocada para funções burocráticas e gabinetes, quando deveria estar presente no espaço público).
4. Proibição de ferros-velhos em perímetro urbano e fechamento dos existentes (Devemos seguir o exemplo de outras cidades que restringiram esse tipo de atividade em áreas urbanas. Na prática, muitos ferros-velhos acabam servindo como pontos de receptação de objetos furtados ou fruto de descaminho, alimentando pequenos crimes cometidos por moradores de rua).
5. Intensificação da internação involuntária (É necessário ampliar significativamente o número de internações mensais. Hoje são apenas uma ou duas por mês).
6. Poda da vegetação exótica da Beira-Mar e interdição de outros “esconderijos” (Esses locais vêm sendo usados como pontos de consumo de drogas e precisam ser eliminados do espaço urbano).
7. Fim da passagem “gratuita” no transporte coletivo municipal (A diarista paga passagem. O morador de rua não pode ter privilégio financiado pelo contribuinte).
8. Organização da coleta de resíduos recicláveis (A falta de organização faz com que lixeiras sejam reviradas, rasgadas e que a sujeira se espalhe pelas ruas).
9. Proibição da distribuição desordenada de comida (Essa prática estimula a permanência nas ruas, suja a cidade e espalha alimentos em locais insalubres).
10. Projeto de abordagem social 24 horas por dia, 7 dias por semana (A assistência precisa ser ininterrupta nos principais pontos de concentração da população de rua).
11. Fim da “CVC” do morador de rua (Muitos utilizam as passagens ofertadas pela Prefeitura, passam alguns dias na cidade de origem e retornam a Florianópolis. Deve haver apenas uma única chance de retorno definitivo).
12. Interrupção do financiamento público ao vício de quem recusa trabalho e tratamento (O poder público não pode sustentar indefinidamente escolhas que perpetuam a dependência e a desordem urbana).


