O projeto de lei que prevê a redução da jornada de trabalho tem gerado preocupação no setor produtivo catarinense. O tema foi debatido essa semana pelo Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (COFEM), que reúne as principais entidades representativas da economia do estado. Para o setor produtivo catarinense, por se tratar de uma mudança estrutural, com impactos profundos na economia, no emprego e na competitividade do país, a decisão exige uma análise técnica, baseada em dados. Os representantes das entidades empresariais salientaram o risco de o debate ser guiado mais pela disputa por votos do que pela busca de soluções sustentáveis, ao ocorrer em ano eleitoral.
Para o vice-presidente da Regional Sul da FIESC, Edilson Zanatta, a proposta precisa ser analisada com responsabilidade e base técnica, especialmente diante do atual cenário econômico.
“Vivemos hoje um momento de pleno emprego. Há escassez de mão de obra em praticamente todos os setores. Um projeto que reduz a carga horária das pessoas que já estão empregadas exigirá a contratação de novos trabalhadores. Isso pode agravar ainda mais a crise de falta de mão de obra”, avalia.
Santa Catarina registra uma das menores taxas de desocupação do país — 2,3% no terceiro trimestre de 2025 — e já enfrenta dificuldades para preencher vagas. Dados setoriais mostram retração na oferta de profissionais em diversas áreas, como no transporte rodoviário, que teve redução significativa no número de caminhoneiros na última década.
Embora defensores da proposta argumentem que a medida pode melhorar a qualidade de vida do trabalhador, Zanatta destaca que as empresas já vêm investindo fortemente em ambientes de trabalho mais saudáveis e atraentes para as equipes de trabalho.
“As empresas disputam entre si para serem reconhecidas como os melhores lugares para trabalhar. Participam de programas como o GPTW, investem em saúde ocupacional, ginástica laboral, apoio psicológico, planos de saúde extensivos aos dependentes. Sabemos que o trabalhador satisfeito é mais produtivo, e isso já é uma realidade nas organizações”, afirma.
O setor produtivo também alerta para os impactos econômicos da medida. Estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que a migração para uma jornada de 36 horas semanais pode elevar em cerca de R$ 178 bilhões por ano os custos diretos da indústria. Já análises da FGV/IBRE apontam que, considerando apenas o fator trabalho, a mudança poderia resultar em retração de até 11% do PIB.
Segundo as entidades empresariais, o aumento estimado de aproximadamente 25% no custo do emprego tende a pressionar preços de produtos e serviços. “Quando há aumento de custo, seja na indústria ou na prestação de serviços, esse valor acaba sendo repassado ao consumidor. O que inicialmente pode parecer um ganho ao trabalhador pode se transformar em aumento do custo de vida, reduzindo o seu poder de compra e onerando ainda mais o orçamento familiar”, ressalta Zanatta.
Outro ponto destacado é a produtividade. Para o COFEM, o Brasil ainda não alcançou níveis de produtividade que sustentem uma mudança estrutural dessa magnitude. “Sem ganho real de produtividade, essa alteração pode representar um prejuízo generalizado. Aquilo que aparentemente pode parecer um presente, pode se transformar em uma bomba para a economia”, alerta o vice-presidente.
As entidades reforçam que não são contrárias ao debate, mas defendem que ele seja conduzido com profundidade técnica, diálogo e responsabilidade, longe de disputas eleitorais. Para o setor produtivo catarinense, trata-se de uma decisão estrutural, com impactos duradouros na competitividade do país, no emprego e no custo de vida da população.
O COFEM é composto pelas Federações das Indústrias (FIESC), do Comércio (FECOMÉRCIO), da Agricultura (FAESC), dos Transportes (FETRANCESC), das Associações Empresariais (FACISC), das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), das Micro e Pequenas Empre


