Registro político relevante nos bastidores catarinenses: mesmo em missão oficial no Japão, integrando uma comitiva de senadores, Esperidião Amin participou, hoje à tarde, de uma conversa por chamada remota com Carlos Chiodini e João Rodrigues. O diálogo é visto como a largada de uma articulação que pode redesenhar o tabuleiro eleitoral de 2026 em Santa Catarina.
No centro da conversa está a possibilidade de um entendimento amplo envolvendo PP, MDB e PSD. A sinalização é de que, apesar das diferenças históricas e das resistências internas, há consciência entre essas lideranças de que uma construção conjunta pode ser o caminho mais competitivo diante do atual cenário estadual.
O movimento ocorre um dia depois de Carlos Chiodini deixar o governo Jorginho Mello e orientar filiados do MDB a entregarem os cargos que ocupam na administração estadual.
As limitações de cada ator
Embora João Rodrigues seja peça central nesse diálogo, há um obstáculo evidente: ele não detém controle pleno do PSD. Parte expressiva do partido resiste à sua pré-candidatura ao governo. Esse ceticismo interno ficou claro quando lideranças pessedistas chegaram a buscar alternativas, como o convite feito ao prefeito de Joinville, Adriano Silva, para liderar um projeto majoritário em detrimento do próprio João.
Do lado progressista, Esperidião Amin fala com autoridade pelo PP, mas não automaticamente pela federação PP–União Brasil. Qualquer composição que envolva seu nome — especialmente em um eventual projeto de reeleição ao Senado — precisará passar também pelo crivo do União Brasil, que tem interesses próprios e dinâmica interna distinta.
Já o MDB vive um momento de transição estratégica. A saída de Chiodini do governo não é apenas administrativa; é um recado político. O partido sinaliza que quer recuperar protagonismo e não está disposto a ser apenas coadjuvante. Mas isso abre um dilema: até que ponto a base emedebista embarcaria de forma orgânica em um projeto liderado por João Rodrigues e que, no plano federal, pudesse ter Esperidião Amin como candidato à reeleição?
O fator eleitorado
Além das equações partidárias, há a variável mais imprevisível: o eleitor. Uma aliança entre PP e MDB, por exemplo, exigiria forte capacidade de narrativa para justificar a união de forças que, historicamente, já estiveram em campos opostos no estado. Não se trata apenas de somar siglas, mas de construir coerência política diante de um eleitorado cada vez mais atento a movimentos que soem meramente pragmáticos.
Também paira a dúvida sobre o comportamento do voto emedebista em uma eventual candidatura de Amin ao Senado dentro de um arranjo liderado por João Rodrigues ao governo. A transferência automática de apoio está longe de ser garantida, especialmente em um partido de perfil municipalista e com lideranças regionais de forte autonomia.
Primeira conversa, muitas incógnitas
A conversa entre Amin, Chiodini e João Rodrigues está longe de fechar qualquer acordo. Trata-se, na prática, de um contato inicial para medir possibilidades e eliminar resistências iniciais. Mas o simples fato de ela ocorrer, nas circunstâncias atuais, já é altamente simbólica.
Mostra que, após a anunciada saída do MDB do governo estadual, o jogo começou a se reorganizar. E que, nos bastidores, lideranças experientes se movimentam cedo para evitar isolamento político no momento das definições formais.
Em resumo: ainda não há chapa, nem aliança fechada — mas há, claramente, um ensaio de eixo político alternativo em construção em Santa Catarina.


