Formação sobre o modelo RTI reúne profissionais da educação e da saúde do Sul do país na Univali
A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) sediou, nos dias 9 e 10 de fevereiro, formação sobre o modelo RTI (Response to Intervention), conduzida pela pesquisadora com atuação internacional Simone Capellini, referência em dificuldades de aprendizagem. A iniciativa foi promovida pelo curso de Fonoaudiologia da Univali em parceria com o Instituto IUPI MOV e reuniu fonoaudiólogos, psicólogos, psicopedagogos e gestores da educação de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
Ao longo de dois dias intensos, a formação aprofundou o uso do RTI como estratégia baseada em evidências para identificação precoce de dificuldades de aprendizagem, com foco nos anos iniciais da escolarização. Profissionais de diferentes áreas puderam compreender, na prática, como o modelo organiza triagens, intervenções pedagógicas e monitoramento contínuo dos estudantes, fortalecendo decisões educacionais mais precisas e articuladas com a saúde.
Formação baseada em evidências
Entre os participantes, estiveram representantes das secretarias municipais de Educação de Canelinha, Porto Belo, Joinville e Rodeio, reforçando o interesse das redes públicas catarinenses por metodologias que possam ser replicadas no contexto escolar.
Para a psicóloga Ilda Terezinha de Souza, da Secretaria de Educação de Porto Belo (SC), o contato com o modelo trouxe clareza e perspectiva de aplicação concreta. “É um modelo flexível e, ao mesmo tempo, rigoroso, com início, meio e acompanhamento. Ele permite olhar para diferentes fases da escolarização e tem potencial de impacto tanto no desenvolvimento individual das crianças quanto nos indicadores educacionais, como os índices de aprendizagem”, avaliou. Segundo ela, a expectativa é que o conteúdo do curso seja discutido internamente no pós-formação, com vistas à implementação nas séries iniciais.
A secretária de Educação de Canelinha (SC), Fernanda Dias Jacinto, destacou o valor da formação para qualificar decisões dentro da escola. “O RTI ajuda a entender que nem tudo precisa ser encaminhado para o clínico. Muitas situações podem e devem ser resolvidas no ambiente escolar, especialmente na educação infantil e nos primeiros anos. Isso permite prevenir dificuldades futuras e dar mais segurança sobre como, quando e para onde encaminhar uma criança”, afirmou.
Do Rio Grande do Sul, a psicopedagoga e neuropsicopedagoga Ane Maria Becker Eltz ressaltou a importância de aprofundar o estudo do RTI diretamente com a pesquisadora que coordena sua validação no Brasil. “Ter acesso presencial à mentora do modelo amplia a compreensão e qualifica a prática. A metodologia oferece uma base consistente para diferenciar dificuldades pedagógicas de possíveis transtornos de aprendizagem, o que impacta diretamente o trabalho com a escola e com as famílias”, disse.
Recém-formado em Fonoaudiologia pela Univali, Matheus Leite avaliou a formação como um diferencial profissional. “O contato presencial com a professora Simone permite compreender o processo passo a passo. A metodologia amplia a visão sobre a aprendizagem e reforça a importância da intervenção precoce. O que se faz nos anos iniciais repercute em toda a trajetória escolar e profissional da criança”, destacou.
Articulação entre universidade, escola e prática profissional
A vinda da pesquisadora à Univali contou com a articulação do Instituto IUPI MOV, clínica de aprendizagem sediada em Tijucas (SC), responsável por viabilizar a presença de Simone Capellini e mobilizar profissionais e gestores da educação de diferentes municípios e estados para a formação. A atuação do Instituto contribuiu para ampliar o alcance do encontro e fortalecer o diálogo entre universidade, redes de ensino e prática clínica.
Ao receber uma formação desse porte, a Univali reafirma seu papel como espaço de conexão entre pesquisa científica, formação profissional e impacto educacional, aproximando universidade, redes de ensino e profissionais que atuam diretamente na base da aprendizagem.
Para a professora Elisa Distefano, docente do curso de Fonoaudiologia da Univali, a formação representa um avanço na qualificação das decisões educacionais nos anos iniciais. “O RTI oferece uma lógica estruturada, baseada em evidências, que ajuda profissionais da educação e da saúde a diferenciar dificuldades pedagógicas de possíveis transtornos de aprendizagem. Trazer essa discussão para dentro da universidade amplia o impacto da formação e aproxima a pesquisa científica da realidade das escolas”, finaliza.


