A história eleitoral brasileira ensina, sem margem para romantismo: quem ignora Minas Gerais costuma pagar a conta na apuração final. São Paulo e Minas somam algo próximo de 35% do eleitorado nacional. Nenhum projeto presidencial competitivo prescinde desse eixo. Nunca prescindiu. O próprio PT sempre levou esse componente histórico muito a sério.
A chamada política do “café com leite” pode ter ficado nos livros de História do século passado, mas sua lógica — a centralidade mineiro-paulista — segue absolutamente viva e real, influenciando os destinos do país.
Senão, vejamos. Quando Lula da Silva venceu em 2002, escolheu como vice o empresário mineiro José Alencar. Não foi apenas um gesto regional. Foi uma mensagem política e econômica: moderação, diálogo com o setor produtivo e tranquilidade institucional.
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Replay
Lula repetiu a fórmula em 2006, mantendo José Alencar na vice. Depois, ao eleger Dilma Rousseff — mineira de nascimento — manteve a sintonia estratégica com Minas. E, quando Dilma compôs com Michel Temer, paulista, reafirmou o eixo decisório entre os dois maiores colégios eleitorais. São Paulo–Minas, Minas–São Paulo.
Há um dado que pesa: nenhum presidente foi eleito no Brasil sem vencer em Minas Gerais.
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Aécio e o símbolo
Em 2014, Aécio Neves, ex-governador mineiro por dois mandatos e então senador, perdeu a eleição presidencial — e foi derrotado inclusive em seu próprio estado.
A lição foi cristalina: Minas não é detalhe geográfico; é variável determinante em qualquer pleito nacional.
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Alckmin em 2022
Na volta ao poder em 2022, Lula precisou reconstruir pontes após o período de condenação e prisão. Escolheu Geraldo Alckmin, ex-governador paulista, de perfil moderado, para sinalizar estabilidade institucional e afastar temores de revanchismo.
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Manutenção?
Hoje, fala-se em eventual troca de vice. Mas Lula enfrenta escassez de nomes com densidade eleitoral em Minas dentro do MDB. Alternativas como Helder Barbalho ou Renan Filho têm peso regional no Nordeste, onde Lula já é forte, mas não agregam competitividade em Minas Gerais.
Mexer em Alckmin pode custar caro. O paulista, portanto, tem fortes chances de permanecer na chapa.
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Movimento da Direita
É nesse contexto que ganha relevância a aproximação pública entre Flávio Bolsonaro e o governador mineiro Romeu Zema. A imagem dos dois lado a lado na Avenida Paulista não foi casual. Foi ensaiada.
Assim como Lula, em 2002, buscou um empresário mineiro para transmitir confiança, Flávio precisa compensar sua ausência de experiência executiva. Foi deputado estadual e hoje é senador. Nunca administrou uma máquina pública.
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Perfil
Zema, ao contrário, é governador reeleito, com aprovação consistente, empresário com trajetória no setor privado e experiência no Executivo. Soma credenciais administrativas e entrega o que é vital: competitividade em Minas.
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Virada
Em 2022, Jair Bolsonaro perdeu Minas por margem apertada. A direita sabe que precisa virar esse jogo. Nenhum nome agrega tanto a uma eventual chapa presidencial de Flávio quanto Romeu Zema.
Se confirmada, a escolha será técnica, eleitoral e simbólica.
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Reflexo em SC
Há outro componente relevante nesse xadrez. A equação nacional dialoga diretamente com Santa Catarina. O governador Jorginho Mello terá como vice o prefeito de Joinville, Adriano Silva, principal liderança estadual do Partido Novo.
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Verticalização
Se Zema — também filiado ao Novo — integrar a chapa presidencial da direita, cria-se uma verticalização orgânica entre Brasília e Florianópolis.
As duas maiores vitrines do Novo no país estariam associadas aos projetos do Partido Liberal tanto no plano nacional quanto no estadual.
Isso não é detalhe partidário. É estratégia eleitoral coordenada.
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Minas é a chave
A disputa presidencial de 2026 tende a ser resolvida no Sudeste. E, dentro dele, Minas permanece como fiel da balança.
A direita aprendeu com a história. Lula sempre soube disso. Agora é a vez de Flávio Bolsonaro aplicar a mesma lógica.
Quem ganhar Minas estará com a mão na taça? A conferir.


