A publicação no Diário Oficial da União, no sábado, oficializando Djalma Berger em uma diretoria estratégica da Itaipu Binacional está longe de ser um ato meramente burocrático. Trata-se, antes de tudo, de um movimento político de alta densidade, com repercussões diretas no tabuleiro eleitoral catarinense e na reorganização da esquerda no estado.
A escolha feita pelo presidente Lula da Silva não tem caráter técnico — trata-se de um quadro eminentemente político. É uma sinalização inequívoca de alinhamento e de preparação de terreno para as eleições de outubro.
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Movimento Berger
A nomeação nasce de articulação conduzida pelo ex-senador Dário Berger, consolidando o reposicionamento do grupo no campo da esquerda em Santa Catarina.
Não por acaso, Dário volta a circular com força como potencial candidato ao Senado ao lado de Décio Lima, repetindo a lógica de 2022 e mirando a ocupação das duas vagas que estarão em disputa.
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Convicção
Dário, aliás, é um político de convicções flexíveis. Iniciou a carreira no PL, passou por diversos partidos ao longo da trajetória e agora deve se filiar ao PDT, sigla historicamente ligada ao campo progressista e, nos últimos anos, próxima ao PT.
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Arranjo da Esquerda
O desenho que se projeta inclui Gelson Merisio ao governo e Ângela Albino como vice, formando uma frente que busca densidade eleitoral e, sobretudo, retenção do chamado “segundo voto” ao Senado — fator decisivo em pleitos com duas cadeiras em disputa.
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Lógica
A presença de dois nomes competitivos evita que o segundo voto escape para candidaturas conservadoras. Trata-se de uma lógica clássica do sistema majoritário brasileiro, plenamente compreendida pelo núcleo estratégico da esquerda.
A nomeação de Djalma Berger se insere nesse contexto: fortalecer a chapa e evitar dispersão de votos, especialmente no campo adversário.
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Calculando
O mesmo raciocínio se aplica ao campo conservador. Esperidião Amin, assim como o MDB, foi preterido da chapa de Jorginho Mello. O desenho inicial previa o MDB na vice e Amin concorrendo ao Senado ao lado de Carol De Toni. O surgimento do fato novo — Carlos Bolsonaro — alterou completamente a equação.
Esperidião disputaria o Senado em chapa isolada do PP? Evidentemente que não.
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Dupla
A alternativa lógica para Amin é compor com João Rodrigues, oferecendo ao eleitorado conservador uma segunda opção ao Senado dentro do mesmo campo político.
Caso contrário, o segundo voto poderia migrar para Carol De Toni ou Carlos Bolsonaro. Em eleições com duas vagas, essa dinâmica é determinante.
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Lições
Basta lembrar 2018, quando, assim como agora, os eleitores puderam escolher dois senadores. Em 2022, a disputa foi por vaga única, e Jorge Seif venceu com ampla vantagem sobre Raimundo Colombo.
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Miríade
Em 2018, havia diversos candidatos. Elegeram-se Esperidião Amin, na chapa liderada por Gelson Merisio, e Jorginho Mello, na chapa liderada por Mauro Mariani.
Raimundo Colombo e Paulo Bauer foram derrotados.
A eleição ocorreu sob forte influência da chamada “onda Bolsonaro”, que levou Carlos Moisés da Silva ao governo do Estado.
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Peixe fora d’água
Carlos Moisés, até então pouco conhecido, surfou na onda nacional. Posteriormente, rompeu politicamente com Jair Bolsonaro, alterando o cenário que o havia impulsionado.
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Está na história
O caso de Lucas Esmeraldino é didático. Filiado ao PSL em 2018, disputou o Senado sem parceiro de peso e acabou derrotado por margem estreita — cerca de 18 mil votos.
Caso tivesse formado uma dobradinha sólida, o resultado poderia ter sido diferente.
A lição é clara: disputar o Senado sozinho, quando há duas vagas em jogo, é uma aposta de alto risco.
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Segundo voto
Jorginho Mello foi quem superou Esmeraldino naquele pleito. Cumpriu quatro anos no Senado e deixou a Casa ao se eleger governador, em 2022.
Esmeraldino, sem mandato, saiu do centro do debate político.
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Tabuleiro 2026
Se há uma conclusão inequívoca, é esta: em eleições com duas vagas, quem não compreender a matemática do segundo voto larga a corrida em desvantagem estrutural.







