Blog do Prisco
Destaques

Violência digital: Univali reforça papel da família e da educação

Especialista do curso de Psicologia analisa dados do UNICEF e aponta caminhos para prevenir abusos na internet

 

O cenário da segurança digital no Brasil ganhou um novo e severo alerta com o lançamento do relatório “Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia”. O estudo, realizado pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância (UNICEF) em parceria com a organização internacional ECPAT e a Interpol, e financiado pela Safe Online, revela que um em cada cinco adolescentes brasileiros foi vítima de violência sexual em meios digitais no último ano.

Diante desse dado, que representa cerca de 3 milhões de jovens entre 12 e 17 anos, a professora Juliana Vieira, do curso e Mestrado em Psicologia da Univali, analisa que a vulnerabilidade nesse ambiente está ligada a necessidades emocionais típicas da idade, como a busca por pertencimento e validação social. Segundo a especialista, agressores utilizam a “desinibição online” para reduzir a percepção de risco das vítimas.

“Crianças e adolescentes estão em uma fase do desenvolvimento marcada pela busca de pertencimento, validação social e construção da identidade. No ambiente digital, essas necessidades podem ser exploradas por agressores que utilizam estratégias de aproximação emocional, elogios e promessas de amizade ou apoio”, destaca a professora.

 

O desafio do silêncio e o “Grooming”

A pesquisa aponta que um terço das vítimas não contou o ocorrido a ninguém, principalmente por vergonha ou medo de não ser acreditada. Juliana explica que o processo de aliciamento, conhecido internacionalmente como grooming, ocorre de forma gradual e muitas vezes sob a promessa de uma “relação especial”. Para a docente, o combate a essa manipulação exige que as famílias construam um ambiente de escuta ativa e confiança mútua.

“A principal estratégia é construir um clima de confiança antes que o problema aconteça. Isso envolve conversas regulares sobre internet, relacionamentos e limites, sem julgamento ou punições precipitadas. Quando a criança ou adolescente percebe que será ouvido com respeito, aumenta a probabilidade de procurar os pais diante de situações difíceis”, afirma Juliana.

 

Formação profissional na Univali

A Univali atua diretamente no enfrentamento dessa nova configuração de violência, integrando o tema à formação de seus acadêmicos. De acordo com a professora, o papel da Psicologia é central na compreensão dos impactos do trauma e das dinâmicas de interação digital.

Atualmente, Juliana coordena um projeto de pesquisa da FAPESC que capacita professores como multiplicadores do uso consciente da tecnologia, reforçando que a proteção da infância depende de educação digital e políticas públicas eficientes.

“A psicologia tem um papel central tanto na prevenção quanto no atendimento às vítimas. Isso envolve compreender os processos de desenvolvimento, os impactos psicológicos do trauma e as dinâmicas de interação digital. No contexto universitário, é fundamental integrar conteúdos sobre saúde mental, violência, comportamento online e ética profissional”, conclui a docente.

 

 

Crédito foto:   iStock / jakkapan21

Posts relacionados

Univali apoia mobilização do Dia da Mulher em Balneário Camboriú

Redação

Univali conquista Selo ODS Educação 2025

Redação

Univali promove atividades de educação ambiental em Itajaí e BC

Redação