Após estruturação, ele vai começar a ser usado para armazenagem, manuseio e venda de produtos, o que deve acontecer até agosto
O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, vai inaugurar ao meio-dia do próximo sábado, dia 28 de março, a edificação do primeiro entreposto de pescados público da cidade, no João Paulo. Dentro em breve o espaço será transmitido através de cessão de uso à cooperativa de pescadores artesanais locais regularizada para atuar no entreposto pelo prazo de 20 anos para armazenagem, manuseio e venda de produtos oriundos do mar tanto in natura quanto processado, no varejo e no atacado. As obras a serem inauguradas foram conduzidas pela Secretaria de Infraestrutura e Manutenção da Cidade desde janeiro do ano passado.
A Secretaria de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação, que abriga a Subsecretaria de Pesca, Maricultura e Agricultura, acompanha todas as tratativas da construção do entreposto à sua entrada em funcionamento, prevista para acontecer até agosto, e da constituição da cooperativa. “É a primeira cooperativa do Brasil a ser apoiada assim pelo governo”, ressalta o prefeito, com base no que informou o consultor de empresas Marinho São Thiago que presta serviço ao Sebrae, responsável pelo plano de negócio. Aliás, o pessoal da cooperativa vem recebendo capacitação, na parte de gestão do Sebrae, e, no que diz respeito à questão da manipulação dos produtos do Senac.
O entreposto foi construído em terreno de aproximadamente 800 metros quadrados de área total de frente para o mar do João Paulo, ao final da Servidão Nonô, na altura do trapiche público. Já a edificação tem 290,28 metros quadrados de área total foi feita de alvenaria e estrutura de concreto armado com esquadrias de alumínio, e cobertura de laje com elementos cerâmicos que, associada à pintura externa branca das telhas comuns de fibrocimento, vai garantir conforto térmico. E, para fins de sustentabilidade, ganhou usina de tratamento de esgoto para que nem escamas nem vísceras dos pescados, por exemplo, caiam na rede coletora.
A parte externa é urbanizada com pavimento em paver (blocos de concreto intertravados), estacionamento e grama. Internamente, o lugar dispõe de bancadas de inox e de granito. Sendo que todo esse investimento é da ordem de R$ 1,9 milhão – e as obras foram executadas pela empreiteira Litoral Engenharia e Construções Ltda – EPP.
Mas a estruturação do entreposto para a entrada em funcionamento ainda vai requerer um aporte financeiro de mais R$ 1,25 milhão garantido através de emendas parlamentares. Desse montante, R$ 900 mil serão usados na aquisição dos equipamentos necessários – câmaras frigoríficas, máquina para fabricação de gelo, expositores para as vendas de produtos tanto resfriados quanto congelados, entre outros – cuja licitação já está em andamento pela Prefeitura. Os outros R$ 350 mil vão garantir ainda mais sustentabilidade ao entreposto com um sistema fotovoltaico, que converterá a luz solar, limpa, diretamente em energia elétrica, e reduzirá gastos.
A cooperativa
O consultor Marinho São Thiago deixa claro que a capacitação continuará sendo oferecida mesmo após a abertura do entreposto ao público. Afinal, segundo ele, a colônia de pescadores artesanais do João Paulo é composta de 173 famílias (com 63 embarcações), e 41 delas vivem exclusivamente da pesca, sendo a segunda maior e mais antiga de Florianópolis, atrás somente de seus pares na Barra da Lagoa. Juntas, essas famílias pescam atualmente em média, por mês, de 25 a 30 toneladas de peixe e camarão branco (14 toneladas desse crustáceo). Isso, portanto, no modelo de trabalho que ainda vigora, desestruturado, já que não têm onde armazenar, processar ou vender os produtos, comercializando logo na chegada dos barcos do mar, aos atravessadores, que são os lucradores.
Mas essa realidade está prestes a mudar. Conforme São Thiago, o entreposto terá capacidade de armazenamento de 40 toneladas de produtos. Da primeira etapa de funcionamento da cooperativa, vão participar os 21 primeiros pescadores que toparam a ideia, o que significa dizer que todos os produtos virão deles, assim como a renda da venda estimada de 50 toneladas de produtos por mês, no primeiro ano, ficará com esses cooperados. O último ensaio financeiro, datado de março de 2024 e que será atualizado, prevê um faturamento mensal por parte da cooperativa da ordem de R$ 5,5 milhões, quando o entreposto estiver estabelecido no mercado.
Na primeira fase de funcionamento do entreposto, serão oferecidos para venda os produtos in natura, sendo que ostras e mariscos serão embalados à vácuo após desconche no entreposto com vistas a aumentar seu prazo de validade, e assim agregar valor aos produtos beneficiando os produtores e tornando-se um atrativo do negócio. E, de processados, apenas peixes filetados e camarão pirulito (limpo, mas com o rabinho com casca). Cascas de ostras e mariscos, aliás, serão 100% trituradas e reaproveitadas como fertilizantes agrícolas ou em vasos decorativos, por exemplo, sem geração de resíduos. Para o segundo ano, está prevista a gourmetização, com a comercialização de pratos com receitas ensinadas por chefes de cozinha.
Reivindicação atendida
A obra do entreposto do João Paulo atendeu a uma antiga reivindicação da associação de pescadores artesanais do bairro, diretamente beneficiada, e promete incrementar essa tradicional atividade econômica da região. Mas os moradores do bairro e da cidade em geral também podem comemorar essa conquista inédita para a Florianópolis. Afinal, vão poder adquirir produtos resultantes da pesca com qualidade assegurada pela estocagem adequada.
Para o secretário de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação, Juliano Richter Pires, que responde pela área de pesca na Prefeitura, “essa obra é um marco importante para a pesca local e para a economia do município. O entreposto vai proporcionar melhores condições para os pescadores e também para a população, que poderá adquirir produtos frescos e de qualidade. É um investimento que vai gerar empregos, renda e desenvolvimento para a região”.








