Blog do Prisco
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O fim da floresta

Ao olharmos para uma única árvore, perdemos a noção da floresta. Esta máxima é muito antiga e não faço a menor ideia da sua origem. Lembrei-me disso hoje por conta dessa “comoção” social e política que parece ter tomado conta da mídia e das redes sociais sobre o filme do Bolsonaro, que, sou franco em lhes dizer, não faço a menor questão de assistir e provavelmente não o farei.

Se prestarmos atenção à floresta bostileira, perceberemos o seguinte. Nos últimos quatro anos, considerando-se o último ano do governo anterior (2022) e os primeiros três anos do atual governo, praticamente tudo na floresta piorou. Alguns exemplos: 1) o número de falências empresariais em 2022 foi de 866; em 2025, de 5.600; 2) a taxa SELIC em 2022

terminou em 13,75%; em 2025, em 15%; 3) em 2022 o governo federal teve superávit de 55 bilhões; em 2025, acabou com um déficit de 55 bilhões, uma diferença negativa de 100 bilhões em três anos; 4) a inadimplência dos brasileiros em 2022 estava em 69%; atualmente se encontra em 81%, apesar de dois “planos” do governo para tentar acabar com ela, inclusive liberando o FGTS para aumentar o caixa dos grandes bancos; 5) ao final de 2022, as empresas estatais apresentaram superávit primário de 4 bilhões; somente no primeiro trimestre de 2026, registraram déficit de 4,16 bilhões, o pior da história; 6) a dívida pública passou de 71,7% do PIB em 2022 para 81,6% do PIB, e há previsão de atingir 83% até o final deste ano; 7) Em 2022, cerca de 21% das famílias recebiam bolsa-família; em 2025, já eram 25%; 8) as invasões de terra passaram de 23, em 2022, para 53 em 2025, sendo mais de 233 invasões de terra no atual governo; 9) o governo passado gastou 27,6 milhões no cartão corporativo da presidência (e virou escândalo); o atual já gastou 1,4 bilhão, um aumento de 50 vezes! 10) o governo passado gastou 1,03 bilhão em viagens; o atual já passou de 7,3 bilhões; 11) o governo passado tinha 22 ministérios; o atual começou com 39 (agora são 38), só não adotando o número 40 porque a comparação com Ali Babá seria inevitável.

Estes são dados que estão disponíveis na internet para quem tiver paciência de procurar. A floresta bostileira vem sendo dizimada numa velocidade impressionante, no maior crime político-ambiental já cometido na nossa história, mas parece que a grande mídia e parcela dos brasileiros não quer prestar atenção nisso.

Mas parece que a coisa mais importante a ser discutida no momento é quanto o Vorcaro deu para o filme do Bolsonaro, quantas vezes o Flávio falou com ele e se o Eduardo Bolsonaro jantou no The Woolworth, em Dallas, por conta desse dinheiro. Não me lembro de preocupação semelhante quando as empreiteiras condenadas na lava-jato financiaram o filme do Lula, ou, mais recentemente, quando o atual presidente se reuniu com Vorcaro fora da agenda oficial.

A eleição presidencial que se avizinha deveria ter como pano de fundo unicamente a salvação da floresta. Não que eu, particularmente, acredite que ela tem salvação (já aconselhei muita gente jovem a dar o fora enquanto ainda é tempo). Mas, considerando que todo brasileiro é naturalmente otimista, olhar para o futuro da floresta com esperança é melhor que ficar empacado no presente fitando obsessivamente uma árvore.

Mesmo sendo um pessimista atávico, a única decisão política sensata que me resta é votar na próxima eleição contra os atuais administradores da floresta, na esperança de que os próximos possam, senão reverter o estrago totalmente, recuperar o que for possível para que ela não acabe de vez.

Porque, se não houver mudança, não haverá mais floresta. Com ou sem aquecimento global.

 

CLAUDE PASTEUR DE ANDRADE FARIA
Maio/2026