Blog do Prisco
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Santa Catarina, dez anos   para repensar o morar

 

Dado Prisco – Empreendedor imobiliário – dado@hpp27.com

Renan Reinert – Empresário e presidente da Associação de Moradores de Jurerê Internacional (AJIN) – renan@rtrees.com.br

 

Em 2034, um em cada cinco catarinenses terá mais de 60 anos, projeta o IBGE. O Estado já concentra 1,18 milhão de idosos — 15,5% da população, segundo o Censo 2022 — e terá a maior expectativa de vida do país até 2060. Somos a vanguarda demográfica de um Brasil que envelhece na contramão da própria narrativa juvenil.

A escala da transformação ainda não chegou ao mercado imobiliário. A França levou 150 anos para quadruplicar a proporção de idosos; o Brasil fará o mesmo em 50, mostra o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves. O Japão demorou 23 anos para dobrar a fatia dos 65+; nós o faremos em 19. É uma transição em câmera rápida, num país com déficit habitacional de 6,2 milhões de unidades, calcula a Fundação João Pinheiro.

A pergunta não é “para onde vão os idosos”, mas sim “como queremos viver juntos”. Nos Estados Unidos, 17% das compras residenciais em 2025 foram multigeracionais — recorde histórico, segundo a National Association of Realtors. Em cinco décadas, o número de americanos nessa configuração quadruplicou, mostra o Pew Research. O motor inicial foi custo; o que ficou é cuidado, presença e qualidade do tempo entre gerações.

Multigeracional não é “morar com a sogra”! É a arquitetura que reconhece que avós, pais e filhos têm necessidades simultâneas — privacidade, acessibilidade, saúde preventiva, tecnologia, convívio — e que elas podem ser desenhadas conectadas, não empilhadas. Saúde e bem-estar deixam de ser amenidades e viram infraestrutura, assim como elevador e hidráulica.

Florianópolis é o laboratório natural disso. Maior IDH entre as capitais (0,847), bairros horizontais com densidade etária madura — Jurerê Internacional é um deles — e a melhor expectativa de vida do país pela frente. Faltam produtos. Já temos um empreendimento em obras como resposta. Mas só uma iniciativa não basta. Necessita uma categoria.

A janela é curta. Em dez anos, um quinto da nossa população terá envelhecido. A pergunta para incorporadoras, urbanistas e poder público é simples: enquanto ainda há tempo, vamos construir o quê, para quem?