A movimentação patrocinada por Eduardo Bolsonaro diretamente dos Estados Unidos, lançando o nome da deputada federal Júlia Zanatta como eventual vice numa chapa presidencial encabeçada por Flávio Bolsonaro, soa muito mais como factoide político do que propriamente articulação concreta de bastidor.
A avaliação feita pela deputada estadual Ana Campagnolo(veja vídeo) foi precisa ao enquadrar a situação no seu devido tamanho político. Na prática, a exposição nacional do nome de Júlia atende muito mais aos interesses eleitorais da própria parlamentar catarinense do que a qualquer construção viável dentro do tabuleiro presidencial da direita para 2026.
Trata-se claramente de uma tentativa de turbinar o capital eleitoral de Júlia Zanatta em Santa Catarina, fortalecendo sua condição para a reeleição à Câmara Federal e, eventualmente, pavimentando uma futura candidatura majoritária no estado. Nada além disso.
Não é segredo para ninguém a ligação pessoal, familiar e política pretérita entre Júlia Zanatta e Eduardo Bolsonaro, construída antes mesmo da ascensão eleitoral da deputada catarinense. A operação, portanto, tem endereço, objetivo e conveniência muito claros.
Ao mesmo tempo, o movimento também carrega um componente interno de disputa política. Tanto Eduardo quanto Júlia vêm utilizando o episódio para atingir o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e, por consequência, o Partido Novo, numa tentativa direta, ainda, de desgastar Adriano Silva, que renunciou à Prefeitura de Joinville para ser vice de Jorginho Mello.
A estratégia parece evidente: criar pressão política até as convenções e alimentar a narrativa de que Júlia poderia ocupar esse espaço aqui no estado a partir da especulação nacional. O problema é que a hipótese dela ser vice de Flávio Bolsonaro simplesmente não se sustenta sob nenhum critério minimamente racional da política nacional.
Júlia Zanatta não possui densidade eleitoral nacional, envergadura partidária nem peso político para ocupar uma vice-presidência numa disputa presidencial. Além disso, existe a variável geográfica, absolutamente decisiva em composições dessa natureza. Uma chapa puro-sangue do PL dificilmente buscaria um nome do Sul do país para vice. O movimento natural seria procurar alguém do Norte ou Nordeste — ou até mesmo de outra sigla — para ampliar alcance político, eleitoral e partidário.
Por isso, a especulação lançada por Eduardo Bolsonaro acaba sendo recebida nos bastidores mais como piada política do que como construção séria de projeto presidencial.
No fundo, trata-se de uma jogada de marketing eleitoral antecipado, tentando nacionalizar o nome de Júlia Zanatta e mantê-la no centro do debate conservador catarinense.







