Blog do Prisco
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Ensino superior ganha novo papel em mercado impactado por novas tecnologias e demanda por habilidades humanas

Levantamento realizado pelo Fórum Econômico Mundial mostra que competências como cognição e resiliência continuam em alta

 

O mercado de trabalho tem passado por mudanças significativas causadas, principalmente, pelos impactos de novas tecnologias e digitalização. Até 2030, esses recursos, movimentos econômicos, demografia e transição verde devem gerar 78 milhões de empregos no mundo. Engana-se, no entanto, quem pensa que a demanda será voltada apenas para áreas em que conhecimento sobre dados e inteligência artificial ganham destaque. O Relatório sobre o Futuro dos Empregos 2025, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, mostra que “capacidades humanas como cognição, agilidade e resiliência estarão em alta nos próximos anos”.

 

No dia 11 de agosto é comemorado o Dia do Estudante no Brasil e, para os jovens em processo de ingresso ou consolidação no mercado, a escolha por uma formação superior é ainda mais determinante para conseguir acompanhar as transformações da contemporaneidade. “Se considerarmos as novas tecnologias e as habilidades exigidas do profissional do futuro, ter uma graduação ainda é um diferencial. A partir da universidade, o estudante pode fazer um intercâmbio, ter acesso a pesquisas e experiências diferentes das de quem não passa por essa etapa, a qual segue como um espaço de excelência para a formação de talentos”, afirma a psicóloga Cláudia Silva dos Santos Schiessl, professora na Universidade do Vale do Itajaí (Univali).

 

O entendimento da docente vai ao encontro dos resultados apresentados pela pesquisa Trabalhadores com Ensino Superior, elaborada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 2023, que analisou a diferença de remuneração entre indivíduos que fizeram curso superior e aqueles que não avançaram nos estudos após o ensino médio.

 

Os dados mostram que o diferencial de rendimentos entre esses dois tipos de trabalhadores é “muito elevado no Brasil” e que essa discrepância entre os dois grupos parece estar relacionada ao “capital humano geral adquirido durante os anos adicionais de estudos”. Além disso, “o aproveitamento do conhecimento específico adquirido na formação superior, que pode ser mais ou menos relacionado com a ocupação exercida”, também se apresenta como diferencial no mercado. “O diploma não é garantia nenhuma, mas a competitividade do mercado de trabalho ainda exige uma formação superior”, frisa a professora, que também atua como orientadora no Univali Carreiras, núcleo voltado ao desenvolvimento profissional de alunos e egressos.

 

Ambiente acadêmico

​A graduação está mudando de função em um mercado no qual tecnologia e inteligência artificial alteram profissões. Na juventude, o excesso de informações e as mudanças tecnológicas podem gerar insegurança na hora de decidir por um curso de graduação. Essas dúvidas, em alguns casos, só são sanadas dentro do próprio ambiente acadêmico. Foi o que aconteceu com Bruna Otto Westarb, estudante do 10º período de Psicologia. Ela descobriu o interesse pela área enquanto cursava Administração na Univali e fazia estágio na área de Recursos Humanos.

 

“A partir do contato diário com as pessoas e da convivência com profissionais da equipe, que também eram psicólogas, comecei a me interessar cada vez mais pela profissão. Comecei a pesquisar mais e, aos poucos, esse interesse se transformou em uma verdadeira paixão pela Psicologia”, conta.

 

​Aos 26 anos, ela mudou de graduação e, atualmente, está no último semestre do curso, no estágio específico em Organizações e Comunidade. A estudante acredita que a formação superior é uma oportunidade de desenvolver novas perspectivas e se preparar para os desafios da vida profissional.  

 

“O ensino superior é um requisito importante para quem busca crescer dentro de uma organização e se realizar profissionalmente. Além disso, continuar estudando e se especializando permite acompanhar as mudanças do mercado e estar mais preparado para aproveitar as oportunidades que surgem ao longo da carreira”, destaca.

 

​Para Artur Blenke dos Santos, de 21 anos, o ingresso no curso superior é uma possibilidade de se aprofundar em uma área de interesse e ter melhores perspectivas de futuro a partir da graduação. “Algumas profissões têm a formação como pré-requisito, então não tem para onde fugir. Mas acredito que mesmo naquelas em que o curso superior não é obrigatório, o ensino de qualidade muda a forma de enxergar aquela atividade e de ser visto no mercado de trabalho. Com uma economia aquecida, um profissional bem qualificado pode se destacar e gerar renda confortável para si e sua vida”, avalia o estudante do 10º período de psicologia da Univali.

 

Planejamento de carreira

Após seis anos atuando com gestão organizacional e recursos humanos, a psicóloga Camila Silva decidiu mudar de área e ingressar na psicologia clínica. Para ela, a transição de carreira ocorre em busca de uma paixão que desenvolveu ainda durante a graduação. “Durante a faculdade, eu fiz um estágio na área clínica e me identifiquei muito, mas, à época, tive mais oportunidades na área organizacional e resolvi seguir. Agora, mais madura e experiente, resolvi resgatar essa paixão e procurei o setor de Carreiras da Univali para aconselhamento”, contou.

 

Mudar de área, aos 30 anos, é um objetivo que vai além da remuneração. Para Camila, a transição busca encontrar sentido e propósito dentro da profissão que escolheu quando ainda estava na escola. “Eu sempre gostei de filosofia e de ciências humanas. No ensino médio, um professor me falou sobre o curso de Psicologia e eu comecei a pesquisar sobre a profissão. Eu participei de uma das edições do OPA (Opção Profissional por Área), na Univali, e as palestras me deram certeza dessa decisão”, relembrou a egressa.

 

Ao retornar à universidade, desta vez como mentorada, Camila participou de sessões especializadas com dinâmicas interativas, análise de perfil, planejamento e aconselhamento profissional. “Os nossos serviços trabalham o autoconhecimento, objetivos profissionais, inseguranças e qualidades de cada estudante, ou egresso que nos procura. Analisamos as possibilidades que mais se encaixam no perfil e, a partir daí, criamos uma mentoria de carreira personalizada para potencializar esse aluno ou egresso, fortalecendo e acelerando esse processo de consolidação no mercado”, afirma a professora Cláudia Silva dos Santos Schiessl.