A rotina de centenas de aposentados e pensionistas da Celesc tem sido marcada por uma rotina de fortes descontos no contracheque. Para cobrir os déficits acumulados na Fundação Celesc de Seguridade Social (Celos), participantes do plano previdenciário vêm arcando com contribuições extraordinárias expressivas que impactam drasticamente a renda familiar de quem trabalhou por décadas.
A dimensão desse custo pode ser observada no caso real de um beneficiário que, entre 2016 e meados de 2026, já desembolsou R$ 158.704,54 apenas a título de equacionamento de déficit. Os descontos anuais na folha de pagamento do aposentado demonstram a evolução dessa cobrança:
* 2016: R$ 3.668,11
* 2017: R$ 3.364,86
* 2018: R$ 12.473,44
* 2019: R$ 15.479,19
* 2020: R$ 14.812,62
* 2021: R$ 15.589,70
* 2022: R$ 16.042,04
* 2023: R$ 16.621,56
* 2024: R$ 22.513,62
* 2025: R$ 24.470,58
* 2026 (até o momento): R$ 13.668,82
E a perspectiva de término ainda está distante. Conforme cronograma oficial divulgado pela entidade aos seus participantes, as previsões de encerramento das contribuições extraordinárias vigentes são de longo prazo:
* Equacionamento de 2014: até março de 2032;
* Equacionamento de 2016: até dezembro de 2033;
* Equacionamento de 2022: até julho de 2039.
Vale ressaltar que os valores pagos pelos participantes e assistidos correspondem a 50% do valor total da dívida, uma vez que a outra metade é coberta de forma paritária pela patrocinadora (Celesc), conforme determina a legislação dos fundos de pensão.
Impacto direto e margem de manobra líquida
No demonstrativo de benefício mais recente do aposentado citado, referente ao mês de abril de 2026, é possível constatar o efeito real no orçamento diário. De um provento bruto total de R$ 10.052,08, o somatório das deduções — que engloba a Contribuição Extraordinária Plano Misto Déficit (R$ 1.956,13), taxas do plano de saúde, empréstimos e mensalidades associativas — resultou em R$ 8.667,85 em descontos, deixando um valor líquido de apenas R$ 1.384,23.
Ausência de diálogo abre espaço para mobilização política
Diante da falta de abertura de canais de diálogo com a atual gestão da Celesc e com o Governo do Estado de Santa Catarina para discutir alternativas mitigatórias para as famílias afetadas, representantes e associações da categoria articulam levar as reivindicações aos candidatos ao Governo do Estado. A intenção é buscar apoio e compromissos formais com as demandas dos aposentados para o próximo período eleitoral.







