Blog do Prisco
Manchete

O 7 de Setembro que pode selar o destino de Lula

É enorme a expectativa para o 7 de Setembro de 2026. Faltam menos de 30 dias para as eleições, e o que inicialmente seria uma mobilização para fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República e prestar solidariedade ao ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou uma dimensão muito maior.

A mobilização do 7

Bolsonaro segue em prisão domiciliar, confinado em sua residência, em Brasília, e praticamente desaparecido da vida pública. Nem mesmo Flávio, seu filho mais velho, pode visitá-lo. Decisão de quem? Dele, Alexandre de Moraes. O ministro que se acostumou a decidir tudo, mandar em todos e prestar contas a ninguém. O homem que parecia intocável e que agora começa a descobrir que nenhum poder dura para sempre.

Em “homenagem” a Moraes

Sim, porque o 7 de Setembro será, entre aspas, em homenagem a Alexandre de Moraes. O ministro André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal que revelou dezenas de mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a um contato identificado como “Alexandre de Moraes Brasília”.

Não são mensagens triviais. Vorcaro pede ajuda para conter investigações, menciona o diretor-geral da Polícia Federal, fala sobre o procurador-geral da República e chega a perguntar se deveria deixar o país antes de ser preso. As respostas atribuídas a Moraes não aparecem no material divulgado, mas aquilo que Vorcaro escreve já é suficientemente devastador.

Ninguém pede esse tipo de ajuda a quem não acredita ter poder, influência ou disposição para ajudar. Ninguém pergunta se deve fugir do país a um simples conhecido. As mensagens mostram intimidade, confiança e uma relação muito distante da normalidade esperada entre um ministro do Supremo e o banqueiro que se encontrava no centro de um dos maiores escândalos financeiros do Brasil.

Rigor para os adversários

Moraes passou anos tratando qualquer suspeita como motivo suficiente para ordenar buscas, bloquear contas, derrubar perfis e impor medidas cautelares. Agora, quando as suspeitas batem à sua porta, tenta mudar de assunto e transformar em investigado justamente o ministro que tornou os fatos públicos. É o retrato perfeito do autoritarismo: rigor absoluto para os adversários e blindagem completa para si mesmo.

R$ 131 milhões — e havia mais

O Banco Master firmou um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões com o escritório comandado pela esposa de Alexandre de Moraes, onde também trabalham dois filhos do ministro. Depois apareceu outro negócio, estimado em R$ 50 milhões, envolvendo a transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero como forma de pagamento ao mesmo escritório.

Não estamos falando de uma consulta jurídica comum, de um contrato modesto ou de uma relação profissional corriqueira. Estamos falando de cifras milionárias, aeronaves, influência política e mensagens nas quais um banqueiro investigado pede ajuda diretamente a um contato atribuído a um ministro do Supremo. O nome disso é promiscuidade.

Durante anos, Alexandre de Moraes apresentou ao país sua face autoritária, arrogante e prepotente. Agora surge uma face ainda mais grave: a de uma autoridade cercada por relações financeiras e pessoais que exigem investigação imediata, independente e sem qualquer tipo de proteção corporativa. Moraes sempre exigiu que os outros provassem sua inocência. Chegou a vez de ele explicar ao Brasil tudo aquilo que tentou esconder atrás da toga.

Fachin na encruzilhada

Agora o país observa Edson Fachin. O presidente do STF retirou do inquérito das fake news o pedido de Alexandre de Moraes para investigar André Mendonça. Foi um primeiro movimento, mas ainda está muito longe de ser suficiente. Moraes tentou responder às revelações com uma retaliação contra quem levantou o sigilo dos documentos. Em vez de explicar suas relações com Vorcaro, preferiu atacar Mendonça.

O roteiro é conhecido: quando não consegue destruir o fato, tenta destruir quem revelou o fato. Fachin não pode aceitar um empate artificial. Não existe zero a zero possível. De um lado está André Mendonça, que tornou público um relatório da Polícia Federal. Do outro está Alexandre de Moraes, cujo nome aparece ligado a mensagens, contratos milionários e pedidos de interferência em investigações.

Colocar os dois na mesma condição seria transformar o Supremo em uma associação de proteção mútua. A pergunta que precisa ser respondida é simples: Alexandre de Moraes será investigado ou continuará acima da lei? Qualquer tentativa de arquivar, anular ou enterrar o caso será entendida pelo país como aquilo que realmente será: uma operação de blindagem.

Lula sente o chão desaparecer

O estrago político também chegou ao Palácio do Planalto. Flávio Bolsonaro se aproximou perigosamente de Lula. Na pesquisa Quaest, os dois aparecem tecnicamente empatados no segundo turno: Lula com 42% e Flávio com 41%. A eleição que o PT imaginava controlar está completamente aberta.

Lula pode dizer que não assinou os contratos e que não participou das conversas com Vorcaro. Mas não pode fugir da responsabilidade política por ter ajudado a transformar Alexandre de Moraes em símbolo de defesa da democracia. Durante anos, Lula, o PT e toda a esquerda aplaudiram os abusos do ministro. Celebraram prisões, censuras, bloqueios e perseguições porque os alvos estavam do outro lado.

Chamaram Moraes de guardião das instituições e classificaram qualquer crítica ao ministro como tentativa de golpe. Agora o “guardião” precisa explicar sua proximidade com um banqueiro investigado, os contratos milionários com o escritório da própria família e as mensagens reveladas pela Polícia Federal. O silêncio de Lula diz muito. Seu discurso começa a minguar, sua vantagem desapareceu e o fantasma da derrota voltou a circular pelos corredores do Palácio do Planalto.

Corrupção decide eleição

Para completar o pesadelo petista, a pesquisa Quaest divulgada neste domingo mostra que não ter envolvimento com corrupção é a principal qualidade considerada pelo eleitor na escolha de um candidato. O levantamento também aponta que a corrupção é o maior motivo para rejeitar uma candidatura. E, quando a corrupção volta ao centro da eleição, o PT começa a suar frio.

Pode-se elaborar o discurso que quiser, mas a memória do brasileiro não foi completamente apagada. Mensalão, petrolão, empreiteiras, propinas, dinheiro devolvido e condenações continuam fazendo parte da história dos governos petistas.

Agora, a crise envolvendo Alexandre de Moraes e o Banco Master oferece à direita a oportunidade de mostrar que o sistema que se apresentava como defensor da democracia pode ter se transformado numa estrutura de proteção, influência e negócios milionários.

O início da virada

É justamente isso que estará nas ruas neste 7 de Setembro. Não será apenas uma manifestação de solidariedade a Jair Bolsonaro. Será um grito contra Lula, contra Moraes e contra a sensação de que determinadas autoridades podem fazer qualquer coisa sem jamais prestar contas.

O 7 de Setembro pode marcar o início da virada. A alternância de poder em 4 de outubro deixou de ser esperança e se tornou uma possibilidade concreta. Lula sabe disso. Moraes também. E ambos têm motivos de sobra para temer o tamanho das ruas.