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Ser médico: conhecimento, cuidado e confiança

Em um mundo marcado por transformações aceleradas, excesso de informações e crescente desconfiança, algumas profissões continuam sendo referências de credibilidade. Segundo o Global Trustworthiness Index 2026, divulgado em setembro pela Ipsos, instituto internacional de pesquisa, os médicos (58%) lideram o ranking de confiança entre as profissões em 31 países, seguidos por cientistas (57%) e professores (53%). Mais do que um reconhecimento, esse resultado revela a responsabilidade que acompanha o exercício diário da medicina.

O avanço do conhecimento científico e a incorporação de novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial, estão transformando a maneira de diagnosticar, tratar e se relacionar com os pacientes. Informações antes restritas aos profissionais de saúde estão cada vez mais acessíveis à população. Mas essa disponibilidade não garante, necessariamente, sua compreensão ou aplicação adequada. A tecnologia amplia as possibilidades de atuação, mas seu valor depende de como a utilizamos. O conhecimento sustenta as decisões clínicas, enquanto a relação com o paciente permite compreender melhor suas demandas e particularidades.

Nesse cenário, o papel do médico ganha novas dimensões. Mais do que deter informações, cabe a ele interpretá-las, contextualizá-las e transformá-las em decisões responsáveis fundamentadas na competência técnica e no compromisso ético.  Afinal, individualizar o cuidado exige mais do que seguir algoritmos e protocolos.  A confiança não decorre apenas do conhecimento, mas também da convicção de que ele será utilizado com independência, integridade e respeito. Em uma relação cada vez mais participativa, diálogo e transparência tornam-se fundamentais para fortalecer o vínculo entre médico e paciente.

Essa responsabilidade ultrapassa os limites dos consultórios e hospitais. Médicos atuam na pesquisa, na docência, na gestão, na inovação e no empreendedorismo, conectando experiências, pessoas e instituições. São diferentes formas de contribuir para a saúde da população, revelando uma profissão que se reinventa diante de novos desafios.

Assim como um bom professor estimula o raciocínio e a autonomia dos seus alunos, o médico deve orientar seus pacientes na compreensão de suas condições, favorecendo sua participação ativa e consciente nas decisões sobre a própria saúde.

Neste Dia do Médico, celebrar a profissão é também reconhecer esse compromisso permanente. Ser médico continua significando cuidar de pessoas, integrar conhecimentos e construir relações de confiança.

Gustavo Lemos Pelandré
Médico radiologista, doutor em radiologia, professor da UFSC e conselheiro de administração da Unimed Grande Florianópolis.