Ao lembrar que já foi bem votado em Santa Catarina e que o PT governou cidades como Criciúma, Blumenau, Joinville, Chapecó e Concórdia, Lula acabou tocando numa ferida antiga: as brigas internas do próprio partido.
A observação faz lembrar um dos capítulos mais conhecidos dessa história, protagonizado por José Fritsch e Ideli Salvatti.
Em 2002, na onda que levou Lula à Presidência na quarta tentativa, Fritsch recebeu mais de 834 mil votos para governador e ficou a menos de três pontos percentuais do segundo turno. Quem avançou foi Luiz Henrique da Silveira, que derrotaria Esperidião Amin. Na mesma eleição, Ideli conquistou a maior votação para o Senado em Santa Catarina. O PT tinha força nas urnas e perspectivas de crescimento.
Fritsch assumiu, em 2003, a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, com status de ministro. Mas, na preparação para a eleição de 2006, o partido se dividiu entre uma nova candidatura dele e o projeto de Ideli de disputar o governo.
Fritsch prevaleceu na disputa interna. Ideli acabou fora do processo, sem reunir os apoios exigidos para inscrever sua candidatura às prévias. O grupo da senadora reagiu com indignação.
Resolvida a candidatura dentro de casa, faltou combinar com o eleitor. Fritsch recebeu 468.302 votos, apenas 14,30% dos válidos — um tombo em relação a 2002. Luiz Henrique foi reeleito.
E a cadeira em Brasília não ficou esperando pelo petista. Fritsch não voltou ao comando da Pesca. Altemir Gregolin, que o substituíra, permaneceu no cargo no segundo mandato de Lula.
Portanto, quando Lula reclama das brigas internas do PT catarinense, fala de um problema que conhece de perto. O partido já teve votos, prefeituras importantes e lideranças com projeção nacional. Também teve uma enorme capacidade de consumir essa força nas disputas entre os próprios companheiros.






