Coluna do dia

A força da multa

A greve dos petroleiros não vingou, foi um retumbante fracasso. Ao contrário da paralisação dos caminhoneiros. A turma do andar de baixo da Petrobrás recuou primeiro porque a mobilização foi pequena. Muito fraca. Sem adesão. E segundo porque está sendo mais eficiente a aplicação de multas aos que fogem dos parâmetros legais estabelecidos pela lei para greves e manifestações. O Judiciário foi firme nesse momento e as penalidades pecuniárias têm sido mais eficazes do que propriamente o lançar mão do uso da força policial para coibir manifestações.

Especificamente na questão dos caminhoneiros, não foi o Exército, a Força Nacional, as polícias, quem teve  maior peso nessa situação. Foi o atendimento às reivindicações e a aplicação firme de multas aos maiores responsáveis pela desmobilização. Quando a situação atingiu o caixa, as transportadoras correram. Só no Supremo Tribunal Federal (STF) foram quase R$ 150 milhões em multas às empresas de transportes. Neste mesmo diapasão, foi didática a decisão de aplicar a pena de R$ 9,4 milhões por posto de combustível que não vender o óleo diesel com a redução de R$ 0,46 por litro definida pelo governo. É uma multa de quase R$ 10 milhões. Uma verdadeira porrada, que deve servir para coibir a ganância dos oportunistas de sempre.

 

Traque

Ao fim e ao cabo, a greve dos petroleiros, patrocinada pelo CUT, foi um espirro. Os sindicalistas anunciaram a paralisação, a partir de quarta-feira, “de advertência” por três dias. Mas a turma desistiu da movimentação já no segundo dia. Por quê? Por medo da multa determinada pelo TST. Sem sombra de dúvida, no cenário atual, a aplicação de multas aos fora-da-lei tem mais valor do que propriamente o uso de força policial.

 

Perde

No saldo da greve dos caminhoneiros, que derrubou, além da economia o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, a conta do presidente Michel Temer afundou ainda mais no vermelho. Ele levou mais um petardo, sai mais enfraquecido e isolado. Os presidentes da Câmara e do Senado não deram a mínima para Temer, assim como a presidente do STF.

 

Ganha

Já o governador Eduardo Pinho Moreira sai com a conta no azul. Ele pode até ter recebido uma enquadrada das federações empresariais na terça-feira. Mas botou pra quebrar e a coisa funcionou já a partir de quarta-feira. Graças também, registre-se, à eficiência do comandante-geral da PMSC, coronel Araújo Gomes, e de toda a equipe mobilizada por Pinho Moreira.

 

Timing

Há os que reclamaram de uma certa lentidão do governo estadual em ir a campo para restabelecer os parâmetros de normalidade depois do anúncio de Michel Temer, domingo à noite, atendendo todas as reivindicações dos caminhoneiros. Na verdade, o Estado catarinense entrou em campo na hora certa.

 

Encaixou

O setor de inteligência da polícia só teve segurança de distinguir quem era caminhoneiro de verdade e quem era infiltrado (aí incluídos sindicalistas de esquerda, radicais de direita e até mesmo bandidos que acabaram de cumprir suas penas) a partir da tarde de terça-feira. O que não dava era para usar a força e pegar trabalhadores do volante. Daí, seria um desastre. Resumindo, Eduardo Moreira saiu-se muito bem na crise e Michel Temer, muito mal.

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