O Porto atribuiu a decisão à correnteza e à vazão do Itajaí-Açu, sem anunciar nova data.
Na minha avaliação, faltaram competência de gestão, compromisso com resultados e previsibilidade. Segurança é obrigação. Planejamento também.
Itajaí tem histórico de dragagem de manutenção desde 1999. El Niño, chuvas fortes, correntezas e assoreamento fazem parte dos desafios enfrentados pelo complexo há décadas. A gestão precisa se preparar para essa realidade.
A questão é administrar a dragagem conforme as condições permitirem. Há canal externo, canal interno, bacias de evolução 1 e 2 e berços. Se um trecho estiver temporariamente inadequado, por que não avaliar o trabalho em outro?
Foram examinadas alternativas para aproveitar diferentes condições de maré e correnteza? Havia possibilidade de começar pelo canal externo? Quais medições demonstram que nenhuma frente de serviço poderia ser executada?
Não há comprovação de que a draga possa operar em qualquer condição. Mas também não basta apresentar uma justificativa genérica sem explicar as restrições de cada área e as alternativas avaliadas.
A Superintendência do Porto de Itajaí, autoridade portuária, precisa esclarecer: por que a draga de sucção não veio antes? O que impediu sua mobilização em tempo hábil? Onde está o parecer técnico que fundamenta o adiamento?
Em 2023, a ANTAQ já cobrava continuidade da dragagem e presença do equipamento em tempo hábil. Essa obrigação não nasceu agora.
Defendo a concessão do canal com metas, prazos e fiscalização. A futura concessionária deverá cumprir o contrato e planejar a manutenção do acesso aos terminais de Itajaí e Navegantes. Até lá, a responsabilidade continua com a gestão atual.
A chuva explica o desafio. Não absolve a administração.
Carlos Bittencourt – Opinião
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