Coluna do dia

A retomada econômica

Esta quarta-feira, 22 de abril, pode marcar o início efetivo da retomada econômica para Santa Catarina em meio à maior crise registrada nas últimas cinco gerações humanas.

Os estragos causados pela pandemia do coronavírus ainda são difíceis de contextualizar, mas alguns números já assustam: mais de 400 mil desempregados em pouco mais de um mês no território catarinense.

O quadro de deterioração econômica é proporcional à pressão do empresariado sobre o governador. Que não tinha outra escolha, a não ser ceder. Pois muito bem, deste ponto específico, que é liberação da maior parte das atividades, até a retomada efetiva da economia,a teremos um longo, e doloroso, caminho. Aprofundaremos estas questões oportunamente.

Momentaneamente, o decreto do governador deixa uma lacuna importante nesta complexa engrenagem. Ao não liberar os transportes coletivos e as escolas, o governo imagina que aqueles catarinenses mais carentes farão para irem trabalhar se numa ponta não têm automóvel nem dinheiro para pagar táxi ou uber diariamente; e na outra, não terão aonde deixar os filhos pequenos (recorrer aos avós não é mais uma solução factível)? E aí, como ficamos?

Golpistas a todo vapor

Ontem, 21 de abril, Feriado de Tiradentes, marcou os 228 anos do enforcamento e esquartejamento do insurgente mineiro. Outros tantos que com ele se rebelaram contra a tirania da coroa portuguesa foram apenas encarcerados. A data também marcou os 35 anos da morte de Tancredo de Almeida Neves, que baixou hospital 12 horas antes de tomar posse como presidente da República. Um momento importante para reflexão sobre o que está em curso neste país.

Legitimidade zero

Nos bastidores, há claros movimentos de articulação para um golpe de estado. Na linha de frente está o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, dono de 70 mil votos pelo estado do Rio de Janeiro. É este cidadão que tem seguido conselhos de Fernando Henrique Cardoso, de governadores como João Doria e Wilson Witzel, e de célebres ministros do STF e que parece estar acreditando na possibilidade de derrubar um presidente eleito com 57 milhões de votos. A foto que reuniu todos os ex-presidentes vivos é emblemática neste sentido. Incomum, escancara que há algo muito errado nas entranhas do poder.

Posição

Presidente da Facisc, Jonny Zulauf, foi enfático ao defender o adiamento das eleições deste ano e a canalização dos recursos para a segurança da sociedade. Foi durante reunião com o coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, deputado Daniel Freitas.

Zulauf também gravou um vídeo, onde pede que o governo priorize as atividades e verbas para a produtividade, que, no fim das contas, é o que mantém qualquer estado ou nação em pé.

Dupla

A bancada federal catarinense tem posição muito clara sobre o uso dos escorchantes fundos eleitoral e partidário em tempos de pandemia. Os deputados e senadores são a favor da devolução dos recursos. Ocorre que os eminentes Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre não pautam esta proposta. Obviamente porque são contra a dar um fim nesta farra.

No bolso

Pesquisadores do Instituto Paraná foram a campo em 212 municípios do Brasil entre os dias 13 e 16 de abril. Ouviram 2.218 pessoas. Foi perguntado aos entrevistados se foram impactados financeiramente pela crise do coronavírus. Estratosféricos 81,9% responderam que sim. Neste universo, 33% disseram que foram muito impactados economicamente. Outros 19,5% disseram que o baque foi o “normal de uma crise.” Já para 29,4% a mexida no bolso foi considerada pequena.

Já no campo emocional, 39,3% afirmaram ter sentido crises de ansiedade, depressão ou outros distúrbios psicológicos. Para 57,1%, a quarentena, o isolamento social e as rápidas mudanças econômicas não trouxeram alterações emocionais.

Sair da versão mobile