Blog do Prisco
Manchete

A terceira onda bolsonarista se forma sobre Santa Catarina

Estamos a exatos 25 dias das eleições. A propaganda eleitoral gratuita estreou há pouco mais de dez dias, mas ainda não motivou, não envolveu e muito menos despertou o interesse da opinião pública.

Em Santa Catarina, a campanha parece não ter começado. Os candidatos viajam, percorrem municípios, participam de reuniões e cumprem suas maratonas eleitorais, mas encontram pouca gente e despertam ainda menos entusiasmo.

Campanha sem temperatura

O eleitor catarinense parece completamente distante da disputa pelo governo. Os candidatos circulam pelo Estado, visitam lideranças e divulgam agendas, mas a campanha continua fria, previsível e sem qualquer assunto estadual capaz de mobilizar a população.

A falta de interesse atinge ainda mais quem disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa. Se os candidatos majoritários enfrentam dificuldades para atrair atenção, imagine aqueles que precisam disputar espaço entre centenas de nomes e depender do contato direto com o eleitor.

O Senado chama atenção

A eleição para o Senado ainda é a única disputa estadual que desperta alguma curiosidade. Santa Catarina apresenta candidaturas fortes, conhecidas e com capacidade de mobilização.

Esperidião Amin tenta a reeleição carregando décadas de experiência política. Antídio Lunelli representa a força empresarial e municipalista. Caroline De Toni é uma das principais revelações da direita catarinense. E Carlos Bolsonaro protagoniza a situação mais inusitada da eleição ao transferir seu título para o Estado e entrar na disputa.

Mesmo com todos esses ingredientes, a população ainda não se envolveu verdadeiramente. O interesse existe, mas está muito distante da temperatura esperada para uma eleição que escolherá dois senadores.

O voto olha para Brasília

A explicação está no cenário nacional. Tudo o que explodiu nos últimos dias empurrou as disputas estaduais para segundo plano.

As revelações envolvendo Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, os contratos milionários do Banco Master com o escritório da família do ministro, a guerra aberta dentro do Supremo, o afastamento determinado por André Mendonça na cúpula da Polícia Federal e a posterior reação de Flávio Dino transformaram Brasília no centro absoluto da eleição.

O 7 de Setembro completou o quadro. A crise institucional saiu dos gabinetes, chegou às ruas e entrou definitivamente na campanha presidencial.

Já não bastavam os abusos e desmandos atribuídos durante anos a Alexandre de Moraes e companhia limitada. Agora surgiram fatos que colocaram o próprio ministro no centro das suspeitas e exigem explicações que o sistema insiste em não oferecer.

O jogo virou.

Flávio reage

As pesquisas já começam a captar o movimento. Na Quaest, Flávio Bolsonaro e Lula aparecem numericamente empatados, com 41% para cada um, numa eventual disputa de segundo turno.

Na pesquisa BTG/Nexus, Flávio ultrapassou Lula numericamente pela primeira vez na série: 46% a 45%. A diferença está dentro da margem de erro, mas a direção política é evidente.

O levantamento Meio/Ideia divulgado nesta quarta-feira reforça o cenário. Lula e Flávio aparecem empatados com 46% no segundo turno. No primeiro, a distância entre eles caiu para pouco mais de um ponto: 38,4% para Lula e 37,3% para Flávio.

Não existe virada consolidada, mas também não existe mais vantagem confortável para o petista. Flávio está em trajetória de crescimento, enquanto Lula olha para o retrovisor e percebe o adversário exatamente ao seu lado.

Alerta no Planalto

A desaprovação do governo Lula chegou a 50%, contra 43% de aprovação. O petista também perde substância em segmentos fundamentais para sua tentativa de conquistar um quarto mandato.

A desaprovação cresceu no Nordeste, seu principal reduto eleitoral, avançou entre os jovens e permanece elevada entre os homens. Entre os evangélicos, Flávio já construiu uma vantagem expressiva.

O quadro começa a ficar periclitante. O sinal de alerta não apenas soou no Palácio do Planalto. Já deve estar tocando de forma ensurdecedora.

Lula ainda lidera alguns cenários de primeiro turno, mas a eleição presidencial deixou de ser administrável. O que parecia encaminhado transformou-se numa disputa aberta, polarizada e imprevisível.

Os estados ficam menores

Com toda a atenção voltada para Brasília, as eleições estaduais perderam espaço. O debate local foi engolido pelo confronto entre Lula e Flávio, pela crise do Supremo e pelos acontecimentos envolvendo Alexandre de Moraes.

Isso favorece quem já lidera as pesquisas estaduais. Sem uma pauta local forte e sem tempo suficiente para uma grande mudança de cenário, os candidatos mais bem posicionados tendem a consolidar suas vantagens.

A influência da campanha presidencial será decisiva. Quem conseguir ligar sua imagem a Lula ou a Flávio receberá parte da força de seu candidato nacional. Quem tentar permanecer no meio do caminho corre o risco de desaparecer.

Jorginho na crista da onda

Em Santa Catarina, essa nacionalização favorece diretamente Jorginho Mello. Desde 2018, entre os maiores estados brasileiros, Santa Catarina consolidou-se como o território mais conservador e bolsonarista do país.

Se a eleição estadual continuar morna e a disputa presidencial seguir crescendo, Jorginho terá todas as condições de transformar sua vinculação com Jair e Flávio Bolsonaro numa vitória confortável, possivelmente ainda no primeiro turno.

A terceira onda bolsonarista vai bater em Santa Catarina em 2026. E tudo indica que chegará com força.

Essa onda favorece a recondução de Jorginho, fortalece as candidaturas de direita à Assembleia Legislativa e cria condições para a eleição de uma bancada federal expressiva.

O risco no Senado

Para o Senado, entretanto, o cenário é mais complexo. A força bolsonarista pode ajudar o PL, mas não garante automaticamente a conquista das duas vagas.

Santa Catarina tem outras candidaturas competitivas e atraentes. Esperidião Amin conserva uma base eleitoral histórica. Antídio Lunelli possui força no setor produtivo e em importantes regiões do Estado. Caroline De Toni e Carlos Bolsonaro disputam diretamente o eleitorado mais identificado com Jair Bolsonaro.

A dispersão dos votos pode produzir um resultado inesperado. O PL tem força para eleger dois senadores, mas também corre o risco de dividir excessivamente sua própria base e conquistar apenas uma das vagas.

Será necessário coordenação, estratégia e capacidade de orientar o eleitor, que terá direito a dois votos para o Senado. Uma onda forte ajuda, mas não corrige erros de organização.

Vinte e cinco dias

A campanha catarinense ainda está fria, mas isso não significa que permanecerá assim até o fim. Faltam 25 dias, e a disputa nacional começa a produzir os movimentos que poderão definir também o resultado estadual.

Lula perde terreno. Flávio cresce. O Supremo ocupa o centro da crise. E Santa Catarina começa a se preparar para repetir o movimento político que marcou as eleições de 2018 e 2022.

A campanha local ainda não empolgou o eleitor. Mas a terceira onda bolsonarista já pode ser vista no horizonte.

Quando ela chegar, deverá carregar Jorginho Mello, fortalecer a direita e redesenhar completamente a disputa pelas duas vagas ao Senado.

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