Coluna do dia

Ainda o Cunha

Após as  manifestações dos dois advogados de acusação, ontem, no plenário do Senado, ficou muito claro que o notório ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, não foi o mentor intelectual do impeachment. Muito pelo contrário. Foi o peemedebista quem cortou vários pontos da acusação inicial, que era muito mais robusta do que a que foi ao plenário. Inclusive as maracutaias bilionárias no BNDES e todos os pontos envolvendo o petrolão. Revelações da advogada Janaina Paschoal durante seu tempo no libelo acusatório. Ou seja, Cunha aliviou e muito a barra para a petista. Até porque, quando se reduz o impeachment a um único personagem, está se desdenhando dos milhões de brasileiros que foram às ruas a partir de 2013, muito antes, portanto, do processo se iniciar (final de 2015), manifestando sua indignação com os destinos sombrios nos quais o país mergulhava.

Outro ponto que foi para o espaço é a parolagem do golpe. Ao comparecer ao plenário do Senado para fazer sua defesa, a ré deu a última pincelada de legitimidade a um processo cujo rito foi definido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cujo julgamento propriamente dito foi conduzido pelo presidente da corte suprema do país.

 

Tripé

Além do grito desesperado das ruas e os posicionamentos, legítimos, de forças políticas e empresariais que começaram a acreditar no impedimento de Dilma, a peça formal de acusação foi assinada por ninguém menos do que Hélio Bicudo, fundador do PT junto com Lula e ex-vice-prefeito da ex-petista Marta Suplicy, e os juristas Janaína Paschoal e Miguel Reale Jr.

 

Perdida

Dilma e sua turma estão perdidinhos, perdidinhos quando falam em recorrer ao STF. Recorrer do quê se o próprio presidente daquela corte presidiu o julgamento da petista?

 

Fora do tom

Miguel Reale Jr. fez um discurso contundente no libelo acusatório, mas com tom demasiadamente político (embora ele tenha esse direito). E errou ao separar os brasileiros em dois grupos, como se nenhum simpatizante do PT, de Lula e Dilma fosse honesto ou trabalhador.

 

Absurdo

O advogado de defesa, José Eduardo Cardozo, a seu turno, cometeu uma atrocidade ao comparar o julgamento no Senado a um tribunal militar. Milhares de brasileiros, além de Dilma, foram submetidos à corte marcial durante a ditadura. E quem conhece um pouco de política, sabem que são situações absolutamente diferentes.

 

Tucano 1

O senador Dalirio Beber foi o 44º senador a questionar Dilma Rousseff, às 22h15m, da sessão de segunda-feira, 29, que sabatinou a presidente. “Vossa excelência realmente tem convicção, que os 54 milhões de brasileiros que votaram na senhora, na mais acirrada disputa presidencial da história, ainda acreditam que Vossa Excelência, reúne condições e apoio político necessário no Congresso Nacional, para tirar o Brasil do caos que se encontra?, questionou. Para o senador tucano, sob o aspecto jurídico “está sobejamente provada a existência do crime de responsabilidade”.

 

Tucano 2

Paulo Bauer foi o nono a inquirir a petista. Questionou a presidente afastada  sobre a transparência nas contas públicas e as ações que levaram à acusação de crime de responsabilidade. A intervenção de Bauer foi técnica, indo direto aos pontos das denúncias, deixando de lado questões políticas.

Antes, no entanto, o senador catarinense enumerou os diversos erros de gestão do governo Dilma que levaram à crise econômica como obras inacabadas, o rombo nos fundos de pensão aparelhados politicamente, o excessivo número de ministérios (chegou a 39 e nomeou cerca de 90 ao longo de seus anos de governo), a corrupção, inflação, desemprego entre outros.

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