A Assembleia Legislativa promoveu, na manhã desta sexta-feira (20), no auditório da Univali, em Itajaí, uma audiência pública para debater os motivos das interrupções no fornecimento de energia
Foto: Daniel Conzi / Agência Alesc
Audiência pública debate fornecimento de energia
A Assembleia Legislativa promoveu, na manhã desta sexta-feira (20), no auditório da Univali, em Itajaí, uma audiência pública para debater os motivos das interrupções no fornecimento de energia que vêm sendo verificadas em diversos municípios das regiões do Litoral Norte, Vale do Itajaí e Vale do Itapocu, especialmente durante a alta temporada de verão.
Outro objetivo foi discutir os investimentos previstos para ampliar a rede de subestações regionais e aprimorar o atendimento aos consumidores.
O evento foi realizado pela Comissão de Assuntos Municipais, por proposição do deputado Ivan Naatz (PL), e reuniu gestores públicos, lideranças políticas dos municípios afetados e representantes da empresa Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc).
Questionamentos apresentados pelo parlamentar
Na abertura, Ivan Naatz afirmou que a Assembleia Legislativa tem percebido um número crescente de reclamações sobre a prestação de serviços da Celesc na região, não só dos consumidores, mas também do setor produtivo, motivo pelo qual tomou a iniciativa de realizar o debate.
“Essa audiência pública é para ouvir a Celesc e também colocar os nossos gestores, os prefeitos, vereadores, os diretores de iluminação pública, a par do que está acontecendo com a empresa.” Nesse sentido, ele cobrou o estabelecimento de um calendário de investimentos para a região.
Outra questão levantada pelo parlamentar diz respeito à composição da administração da empresa, que, segundo ele, é formada por indicações de caráter político, em detrimento de critérios técnicos.
“Há uma preocupação também da Assembleia Legislativa com uma gestão política dentro da Celesc, com nomeações de cargos sem critérios técnicos. Enfim, uma série de reclamações que pretendemos deixar a limpo aqui.”

Deputado
Ivan Naatz
Ele disse ainda que pretende criar uma comissão permanente na Assembleia Legislativa encarregada de acompanhar o andamento da empresa e impedir que seja privatizada.
Prejuízo para a população
Durante a reunião, diversos gestores públicos e representantes municipais tomaram a palavra para falar dos prejuízos que as falhas no fornecimento de energia têm ocasionado à população.
Este foi o caso do presidente da Associação de Câmaras de Vereadores do Vale do Itapocu, vereador Gilberto Luiz da Silva Azevedo (PP). Ele afirmou que o tema tem sido frequente entre os 107 vereadores da região.
“Não só na parte pública, trazendo problemas para os nossos hospitais e postos de saúde, mas para o setor privado também. Os empresários têm nos procurado muitas vezes, pois a falta de energia elétrica tem gerado um grande transtorno para eles”, disse.
O vice-prefeito de Itajaí, Rubens Angioletti (PL), que representou os demais gestores municipais na reunião, manifestou-se na mesma linha.
“Todos os dias, como administradores da cidade, recebemos reclamações do nosso povo por falta de energia elétrica. Energia que falha, que cai. Não queremos apontar culpados, só que o serviço melhore. Só isso, pois, quando pagamos, queremos que o serviço seja entregue, e com qualidade.”
Terceirização do atendimento
Presente à reunião, Ailton Communelo, coordenador da Intersindical dos Eletricitários de Santa Catarina (Intercel), que reúne cinco sindicatos do setor, manifestou preocupação com a terceirização dos serviços prestados pela Celesc, que, segundo ele, já alcançaria 50% do quadro funcional.
Ele defendeu a realização de novos concursos públicos para a recomposição do efetivo da empresa.
“Não somos contra os trabalhadores terceirizados, mas contra a terceirização de forma geral. Eles não têm as mesmas condições, nem o mesmo treinamento e equipamentos que nós. Também não têm o mesmo empenho na hora de defender os seus trabalhos e na hora de prestar o melhor serviço para a população catarinense”, disse.
A resposta da Celesc
Representando a Celesc, Cláudio Varella do Nascimento, que atua como diretor de Engenharia e Obras da empresa, afirmou que o governo do Estado determinou a realização de um plano de investimentos até 2026 de cerca de R$ 4,5 bilhões.
Do montante, R$ 3,5 bilhões já foram aplicados, disse, principalmente na construção de subestações e melhoria do atendimento, com a disponibilização de mais bases operacionais e equipes nas regionais de Blumenau, Jaraguá do Sul e Itajaí.
“Então, são investimentos vultosos. Até este momento, nessas três regionais, nós já investimos mais de meio bilhão de reais”, disse.
Como exemplo, ele citou a construção ou ampliação de subestações em municípios como Pomerode, Jaraguá do Sul, Guaramirim, Penha, Porto Belo, Bombinhas, Tijucas, Botuverá, Ascurra, Camboriú e Balneário Camboriú.
Os equipamentos, disse, devem trazer mais segurança no fornecimento de energia para toda a região.
“Você disponibiliza mais energia e mais circuitos para que novas unidades consumidoras sejam conectadas e para que também possamos, no momento de defeito, remanejar, fazer a recursividade. Ou seja, se cair a energia de um lado, será possível colocar aquela carga em outra estação.”
Na ocasião, ele fez uma defesa dos serviços prestados pela Celesc, afirmando que a empresa conta com mais de 50 mil transformadores na região, com taxa de falha entre 2% e 2,5%, ante a média nacional de 5% a 6%.
Outro destaque, disse, está no tempo de resposta aos registros de falta de energia, o mais curto entre todas as concessionárias do país.
“Nós temos a resposta mais rápida, com média entre 2 horas e 30 minutos a 3 horas; o seu problema está resolvido com relação à falta de energia.”
Alesc explica
Debater as interrupções no fornecimento de energia e os investimentos previstos para melhorar o serviço.
Litoral Norte, Vale do Itajaí e Vale do Itapocu.
Plano de cerca de R$ 4,5 bilhões até 2026, com R$ 3,5 bilhões já aplicados.






