Temos destacado aqui, reiteradamente, a atuação parlamentar de Esperidião Amin, hoje, sem exagero, um dos mais completos e qualificados senadores da República. No entanto, o mesmo não se pode dizer quando o experiente líder progressista protagoniza um movimento errático — e, sobretudo, equivocado — no plano político, partidário e eleitoral.
Vejamos o contexto. Pré-candidatos proporcionais do partido, ao lado de dirigentes e parlamentares, reuniram-se e deliberaram, por ampla maioria, pela permanência no governo de Jorginho Mello e pelo apoio ao seu projeto de reeleição. Amin, discordando frontalmente dessa orientação, retirou-se do encontro. Até aí, um gesto político legítimo. O problema vem na sequência.
Em questão de horas, os progressistas catarinenses foram surpreendidos com a nomeação de Amin para a presidência estadual do partido, com mandato estendido até setembro — portanto, para além das convenções homologatórias, cujo prazo se encerra em 5 de agosto. Um movimento articulado diretamente com Ciro Nogueira, claramente à revelia da base partidária no Estado.
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Fogo no parquinho
A reação foi imediata — e negativa. Aliados históricos e correligionários de longa data, como Leodegar Tiscoski, Aldo Rosa e Silvio Dreveck, além dos deputados José Milton Scheffer e Pepê Collaço, receberam a decisão com evidente desconforto. Prefeitos progressistas, em número expressivo, também reagiram com contrariedade.
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Na surdina
Há dois agravantes nesse movimento. Primeiro, o método: a articulação “na calada da noite”, recorrendo ao comando nacional para reverter uma decisão recém-consolidada internamente. Segundo, o contexto nacional de Ciro Nogueira, que enfrenta desgastes relevantes e incertezas decorrentes do caso envolvendo o Banco Master e a delação do banqueiro Daniel Vorcaro — um ambiente que, por si só, recomendaria cautela, não associação.
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Geleia geral
O resultado imediato é a instabilidade interna. A janela partidária segue aberta até 4 de abril. Nesse intervalo, não é desprezível o risco de evasão: detentores de mandato e lideranças podem buscar abrigo em siglas como PL, Republicanos, Podemos, Novo ou PRD, todas inseridas no arco de alianças do projeto liderado por Jorginho Mello.
Em outras palavras, Amin pode ter fragilizado o próprio partido que agora preside.
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Tiro no pé
Mas o ponto mais sensível está na dimensão eleitoral. Ao assumir o controle do PP nessas condições, Amin sinaliza uma tentativa de viabilizar sua candidatura ao Senado em uma eventual chapa encabeçada pelo PSD — um partido que, até aqui, não conseguiu sequer consolidar um projeto competitivo para o governo do Estado.
Aliás, Amin tem muitas qualidades, mas nunca se destacou como grande articulador político — o que, neste episódio, fica evidente.
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PSD em frangalhos
O cenário no PSD é, no mínimo, turbulento. João Rodrigues, que se coloca como pré-candidato há mais de dois anos, ainda não transformou intenção em viabilidade política concreta.
Mais do que isso: protagonizou um conflito aberto ao exigir a expulsão de Topázio Neto, prefeito da Capital, criando uma fissura interna de grandes proporções. Soma-se a isso a indefinição sobre sua própria desincompatibilização, já revista de última hora.
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Geografia eleitoral
Ao se alinhar a esse ambiente, Amin — que, ao lado da esposa Angela, controlou a prefeitura da Capital por quatro mandatos — automaticamente se posiciona contra atores relevantes, como o próprio Topázio Neto, hoje o principal nome político de Florianópolis, além de Paulinho Bornhausen, e tensiona ainda mais sua relação com a base progressista municipal.
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Tibieza
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento difícil de sustentar. Como candidato avulso, especialmente dentro de um projeto com forte tendência competitiva liderado por Jorginho Mello, Amin poderia preservar capital político e ampliar suas chances — inclusive considerando a rejeição crescente ao nome de Carlos Bolsonaro no eleitorado.
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Castelo de areia
Ao optar por se vincular a um projeto que ainda não se materializou — e que, na prática, segue sem candidato viável —, o senador assume um risco elevado.
Mais do que isso: rompe com aliados, tensiona seu partido e se insere em uma construção política incerta.
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Outubro é ali
Em síntese, o movimento que pretendia reposicionar Esperidião Amin no tabuleiro pode, na verdade, ter comprometido seriamente suas perspectivas eleitorais.
Se antes já havia dificuldades no horizonte, agora o cenário se torna ainda mais desafiador — para não dizer desalentador.






