por Denise Maidanchen, CEO da Quanta Previdência, especialista em longevidade e economia prateada
denise.m@quantaprevidencia.com.br
Nunca se viveu tanto — e nunca houve tanta gente reinventando a própria trajetória depois dos 60 anos. O Dia do Aposentado, celebrado neste sábado (24), precisa ser entendido não como um marco de encerramento da vida produtiva, mas como o símbolo de uma profunda transformação econômica, social e cultural: o avanço da economia prateada.
Hoje, no Brasil, mais de 4,3 milhões de pessoas acima dos 60 anos estão à frente de seus próprios negócios, aponta o Sebrae. O número representa um crescimento superior a 50% na última década e evidencia que longevidade não combina com inatividade, mas com reinvenção.
A aposentadoria tradicional, baseada apenas na previdência, já não sustenta as demandas de uma vida mais longa. Custos com saúde aumentam, o poder de compra diminui e, muitas vezes, o desejo de continuar ativo permanece. Neste contexto, o empreendedorismo sênior deixa de ser exceção e passa a ser tendência.
A economia prateada vai muito além de produtos “para idosos”. Envolve novos modelos de negócios, serviços, tecnologias, soluções de moradia, bem-estar, educação continuada e, principalmente, oportunidades de trabalho e renda para quem já acumulou algo valioso: experiência de vida.
Empreender depois dos 60 não é apenas uma alternativa financeira. É uma forma de preservar autonomia, saúde mental, identidade e pertencimento social. Estudos mostram que negócios liderados por pessoas mais velhas tendem a ser mais longevos e estáveis pela maturidade na tomada de decisão e capacidade de lidar com riscos de forma mais consciente.
Mas é preciso fazer um alerta: a longevidade sem planejamento cobra um preço alto. A economia prateada escancara a necessidade de olhar para o envelhecimento de forma integral: financeira, física, intelectual e social. Empreender pode ser libertador, mas exige preparo, adaptação ao mundo digital e, sobretudo, escolhas alinhadas à realidade dessa fase da vida.
Outro ponto fundamental é compreender que estamos avançando para a chamada quarta idade, formada por pessoas com mais de 80 anos, a faixa etária que mais cresce no Brasil. Esse dado reforça que pensar em renda, negócios e autonomia é uma pauta para todas as gerações que estão envelhecendo.
Valorizar o aposentado como protagonista, seja como consumidor, empreendedor ou profissional experiente, é uma decisão inteligente do ponto de vista econômico e, acima de tudo, humana. Afinal, aposentar-se não deveria significar parar, mas escolher novos caminhos, com mais consciência, liberdade e propósito.






