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As drogas como crise de saúde pública mundial: A ONU poderia ser a protagonista na busca de soluções?

 

A crise das drogas deixou de ser apenas um problema de segurança pública para transformar-se em uma das maiores crises de saúde pública mundial.

O consumo crescente de substâncias ilícitas, aliado ao abuso de álcool, medicamentos controlados e drogas sintéticas, provoca consequências devastadoras para famílias, governos e sociedades inteiras.

A dependência química atinge milhões de pessoas, gerando impactos diretos na saúde mental, no aumento da violência, nos acidentes de trabalho e de trânsito, no desemprego, na evasão escolar e na desestruturação familiar.

O narcotráfico internacional movimenta bilhões de dólares todos os anos e utiliza tecnologia, políticos, corrupção e organizações criminosas altamente estruturadas para ampliar sua atuação. Em muitos países, o tráfico disputa territórios, fortalece facções criminosas e desafia o próprio Estado, chegando ao ponto de impedir o acesso total e livre de serviços públicos, através da imposição da força, infiltração em estruturas policiais, judiciais, etc.

Enquanto isso, comunidades convivem todos os dias com o medo, a violência urbana e a ausência de perspectivas para milhares de jovens vulneráveis ao aliciamento pelo crime organizado.

O avanço das drogas sintéticas torna o cenário ainda mais preocupante, pois essas substâncias possuem elevado potencial destrutivo e chegam rapidamente aos centros urbanos e até pequenas cidades.

Diante dessa realidade alarmante, surge uma pergunta inevitável: quem pode liderar a busca por soluções ?

A resposta exige equilíbrio, responsabilidade e união de esforços. Nenhum governo, instituição ou segmento social conseguirá enfrentar sozinho uma crise tão ampla e complexa.

O combate às drogas precisa envolver organismos internacionais, governos, parlamentos, sistema de justiça, forças de segurança, universidades, escolas, comunidades terapêuticas, igrejas, clubes de serviço e toda a sociedade civil organizada.

Nesse contexto, organismos internacionais exercem papel estratégico. A Organização das Nações Unidas – ONU, desenvolve tratados, estudos e programas voltados à prevenção, redução da demanda e repressão ao tráfico internacional de drogas.

A ONU já possui um grande trabalho no tema. Com sede em Viena, Áustria, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) atua mundialmente globalmente através de seus programas, com atuação de 2.500 funcionários, além de manter escritórios em 80 países.

No Brasil, a UNODC atua desde 1991, realizando um trabalho valoroso no enfrentamento às drogas, no entanto, muito ainda precisa ser feito.

Já em relação aos governos nacionais vale destacar que possuem responsabilidade fundamental na formulação de políticas públicas eficientes, com investimentos em prevenção, tratamento, reinserção social e repressão qualificada ao crime organizado. Contudo, já está provado que apenas ações policiais não resolvem o problema.

No Brasil, algo que precisa acontecer, urgentemente, é o fortalecimento dos Conselhos Estaduais e Municipais de Políticas Públicas sobre Drogas, com capacitação dos conselheiros, criação de fundos próprios, equipes multidisciplinares, etc.

A dependência química deve ser tratada como doença, exigindo atendimento médico, psicológico e social adequado. Hospitais, CAPS, clínicas especializadas e comunidades terapêuticas necessitam de apoio técnico, fiscalização responsável e recursos suficientes para oferecer acolhimento digno aos dependentes e suas famílias.

As igrejas também exercem missão importante no enfrentamento às drogas. Diversas instituições religiosas realizam trabalho voluntário de acolhimento, orientação espiritual e recuperação de dependentes químicos, especialmente em regiões carentes onde o poder público enfrenta dificuldades para atuar. Muitas vezes, o apoio religioso representa esperança, fortalecimento emocional e oportunidade de reconstrução da vida.

As escolas possuem papel igualmente essencial. A prevenção começa pela educação, pela orientação correta e pelo fortalecimento dos valores familiares e sociais. Crianças e adolescentes precisam aprender desde cedo sobre os riscos das drogas e desenvolver consciência crítica para resistir às pressões externas.

A crise das drogas é um desafio mundial que exige liderança coletiva, coragem política e compromisso permanente com a vida humana. Somente com cooperação internacional, políticas públicas sérias, participação comunitária e valorização da família será possível reduzir os impactos dessa tragédia silenciosa e construir uma sociedade mais saudável, segura e preparada para proteger as futuras gerações.

 

Fernando Henrique da Silveira

– Presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes de Santa Catarina – CONEN

– Pós-graduação a nível de especialização em Direito Penal e Processual Penal com formação para o Ensino Superior (Escola do Ministério Público/Univali).

– Funcionário Público Estadual, Advogado, Jornalista e Radialista.

– Membro Consultor da Comissão de Políticas sobre Drogas da OAB/SC.

e-mail: fernandohsilveira@hotmail.com

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