Coluna do dia

Bagunça generalizada

O cenário político se deteriora a olhos vistos de uma semana para outra. Não bastasse o quadro de guerra estabelecido para se combater a pandemia do Covid19, os equívocos na União e em Santa Catarina se sucedem. Sempre lembrando que não há inocentes neste jogo.

Por aqui, o mais recente foi o bisonho convite do governador Moisés da Silva a Sérgio Moro, ofertando uma secretaria de estado ao ex-ministro. Obviamente que não tem cabimento. Não era a hora nem o modo de se fazer. O catarinense deveria ter se limitado a lamentar a perda do ex-juiz entre os quadros governistas.

Assim procedeu, corretamente, o senador Esperidião Amin. Interessante observar, contudo, que Moisés, que perdeu o diapasão com o tal convite, e a vice-governadora, Daniela Reinehr, ligada a Bolsonaro, parecem ter se incorporado ao movimento de Sérgio Moro.

 

Recuou

Jorginho Mello, outro senador ligado recentemente ao movimento bolsonarista, num primeiro momento atacou Moro. Depois, silenciou.

Ao fim e ao cabo, foi mais um erro de Moisés da Silva em relação ao Planalto. O governo federal neste país é importante para qualquer estado, mas o governador parece não se importar muito em construir pontes em Brasília.

 

Encolhimento

Numa avaliação mais global deste tiroteio entre o presidente e o ex-ministro já se pode avaliar que os dois perdem. Um e outro saem menores deste episódio. Em qual medida para um lado e outro, só o tempo dirá.

 

Falta de liturgia

Vejamos. Sérgio Moro era o baluarte da credibilidade no Brasil em função do belíssimo trabalho à frente da Lava Jato. Mas agora cometeu uma série de indelicadezas e incongruências. Talvez até crime ele tenha cometido. Sim, porque estamos falando de ex-juiz com 22 anos de magistratura e que pilotou a maior operação de combate à corrupção no Brasil.

 

Oportunismo

Além de não ir se despedir do chefe da nação, Moro ainda deu uma coletiva que foi uma verdadeira delação premiada enquanto ainda era ministro e o presidente lhe aguardava no Planalto. Isso é inaceitável. O pior, no entanto, é que nos 16 meses em que esteve ministro, Moro deu várias declarações afirmando que Bolsonaro não interferia na Polícia Federal. Passou a interferir só agora? Ou o ex-magistrado está fazendo teatro? Pois se havia interferência e o então ministro não denunciou, isso se chama prevaricação. É algo grave, sobretudo neste contexto federal.

 

Público e privado

Outra atitude lamentável, inconcebível,, ridícula de Moro: vazar trechos de conversas com parlamentares e o próprio presidente. Conversas privadas, visando, com isso, desestabilizar o governo.

 

Estilo Jair

Jair Bolsonaro, ao seu estilo, não deixou por menos. Considerando-se que o ex-ministro alega que ele queria interferir nas investigações da PF, inclusive naquele inquérito aberto pelo STF para verificar os responsáveis pela pandemia de fake News que assola o Brasil, movimento bancado por empresários e que tem tudo para ser coordenado pelo filho 02, o pitbull Carlos Bolsonaro, o que deveria ter feito o presidente da República? Escolher um delegado isento, de carreira, para assumir a Polícia Federal. Nesta mesma toada, um jurista ou um juiz renomado deveria ser o caminho natural para o Ministério da Justiça.

 

Famiglia

O que se vê, no entanto, são escolhas quase que em família. À Frente da PF, ficará Alexandre Ramagem, íntimo de Carlos Bolsonaro, a quem ele deverá investigar como diretor da PF. Estão de brincadeira né? O policial estava à frente da Abin e foi o responsável pela segurança do candidato Jair Bolsonaro em 2018.

 

Sem embocadura

Da mesma forma, o substituo de Moro no Ministério da Justiça será Jorge Oliveira, ex-chefe de gabinete do deputado Eduardo Bolsonaro e amigo íntimo do 03. O pai dele, já falecido, foi chefe de gabinete do presidente por 20 anos. Ou seja, está tudo em casa agora.  Apesar de haver nomes de peso para o cargo como o do ex-presidente do TRF-4 (hoje presidido pelo catarinense Vitor Laus), Thompson Flores, que esteve à frente da corte quando da condenação de Lula da Silva. Ou mesmo o ex-presidente do TJ de São Paulo, Ivan Sartori.

Sair da versão mobile