O debate sobre a cannabis tem ocupado cada vez mais espaço na sociedade brasileira, o que é necessário e importante para todos.
Entretanto, é fundamental separar duas situações completamente distintas: o uso medicinal da cannabis e o uso recreativo.
Misturar os dois temas apenas contribui para a desinformação e dificulta a construção de políticas públicas responsáveis e legais.
A cannabis medicinal representa um importantíssimo avanço da ciência e da medicina, uma descoberta que trás benefícios a um número gigante de pessoas doentes, que precisam encontrar um tratamento eficaz e acessível.
Diversos estudos vem demonstrando benefícios terapêuticos para pacientes que sofrem de epilepsia, dores crônicas, esclerose múltipla, autismo, Parkinson e tantas outras enfermidades.
Em muitos casos, alguns dos referidos medicamentos, vem de acordo com relatos de pacientes, proporcionando melhor qualidade de vida, redução do sofrimento e esperança para famílias que já haviam esgotado outras alternativas de tratamento.
Negar o acesso a esses medicamentos seria então fechar os olhos para o desenvolvimento científico e para o direito dos pacientes de buscar tratamentos eficazes, acessíveis e seguros, sempre sob acompanhamento médico.
Portanto, defender a cannabis medicinal é defender a saúde, a pesquisa científica e a dignidade humana.
Por outro lado, a defesa do uso recreativo da maconha envolve uma discussão totalmente diferente.
O consumo da droga para fins não terapêuticos continua sendo motivo de grande preocupação para especialistas em saúde pública, educadores, famílias e de todos os profissionais que atuam na prevenção da dependência química.
Diversas estudos científicos afirmam que o uso frequente da maconha pode afetar a memória, a capacidade de concentração, o desempenho escolar e profissional, especialmente entre adolescentes e jovens, visto que o cérebro ainda está em pleno desenvolvimento.
Além disso, o consumo pode potencializar riscos de transtornos psiquiátricos em pessoas predispostas e servir como porta de entrada para outros comportamentos de elevado risco.
Não podemos “fechar os olhos” para os impactos sociais decorrentes da banalização do consumo de drogas.
O Brasil já enfrenta enormes desafios relacionados ao alcoolismo, ao tabagismo e às drogas ilícitas. A ampliação do uso recreativo tende a aumentar a demanda por serviços de saúde, assistência social e segurança pública.
É perfeitamente possível e necessário defender o uso medicinal da cannabis sem apoiar sua utilização recreativa.
Aliás, essa posição equilibrada e responsável, tem sido adotada por muitos médicos, pesquisadores e entidades da área da saúde. O compromisso deve ser com a vida, com a ciência e com a proteção das futuras gerações.
Precisamos garantir acesso aos medicamentos para quem deles necessita, incentivar pesquisas sérias e ampliar o conhecimento da população sobre os benefícios terapêuticos da cannabis.
Ao mesmo tempo, devemos ampliar, fortalecer as políticas de prevenção ao uso de drogas, especialmente entre crianças e adolescentes.
Cannabis medicinal, sim !
Uso recreativo, não !
Essa é uma posição que concilia compaixão, responsabilidade, compromisso com a saúde pública, desenvolvimento social e a garantia de uma sociedade: Justa, com Dignidade e Progresso.


