Blog do Prisco
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Caso Orelha

Nosso mundo exala um forte cheiro de injustiça, vez após vez, em todos os cantos da terra, em todos os governos, em todas as cidades e empresas, a injustiça ergue sua cabeça monstruosa e maligna.

Provavelmente nenhum ser humano vivo tenha se livrado das garras afiadas e cruéis da injustiça.

Faz uns dois meses que nosso país ouviu pelos noticiários e pelas redes sociais, uma história triste e cruel contra um dócil cãozinho, mais precisamente, numa das praias de Florianópolis, o cão orelha.

O assunto logo chegou em todos os países, causando muita revolta, passeatas, protestos e até certo “linchamento virtual” dos envolvidos e seus familiares. Na verdade, não dava de ligar a televisão e abrir a internet que só se falava nisso.

Este fato me fez lembrar de outro caso que aconteceu aqui mesmo no Brasil, há anos atrás, quando uma mãe foi acusada por ter colocado cocaína na mamadeira da própria filha, provocando sua morte imediata. Algum tempo depois, saiu o laudo revelando que tudo não passou de um grave engano, e a jovem mãe foi libertada.

Porém, isso só ocorreu depois que seu caráter e dignidade foram jogados no lixo, tendo, inclusive, ficado com problemas de visão e audição em decorrência das inúmeras surras que levou de outras detentas, dentro da prisão, enquanto lá esteve.

Quem vai ressarcir os prejuízos morais, familiares, profissionais e afetivos destes adolescentes e suas famílias, e das pessoas que tão somente tinham o mesmo sobrenome e também foram falsamente acusadas?

Quero destacar aqui o brilhante trabalho que o Ministério Público de Santa Catarina desempenhou deste caso, trazendo à tona todos os detalhes, desfazendo “provas” e mostrando a verdade.

Nós sabemos a força que a mídia tem, e isto fica muito evidente quando vemos a massa do povo sendo manipulada. Em hipótese alguma desejo rebaixar a importância da mídia, mas fica aqui o alerta para sempre tomarmos cuidado com nossos julgamentos.

Estamos urgentemente precisando de uma direção, de reafirmarmos os valores corretos e que nos acompanharão no amanhã. Precisamos ter coragem de falar e escrever a verdade, contra tudo aquilo que agride a dignidade humana.

Amigos, como é perigoso efetuarmos um julgamento precipitado. Não podemos e não temos o direito de determinar o valor de nenhuma pessoa.

Certos julgamentos desprezam, machucam, ferem e entristecem, e em muitos casos não há mais como consertar, como no exemplo abaixo.

Em 1492, o genovês Cristóvão Colombo, a serviço do Governo Espanhol, singrou o oceano atlântico. Queria chegar à Ásia, mas acabou chegando mesmo foi nas ilhas caribenhas.

Foi assim, o primeiro a aportar no continente americano. Mas esta terra descoberta por Colombo, foi batizada com o nome em homenagem ao italiano Américo Vespúcio.

Que triste injustiça. Colombo morreu na miséria e no esquecimento. Mas eu ainda prefiro acreditar nas pessoas.

 

RICARDO WINTER

ricardof.winter@gmail.com