Cenários econômicos e perspectivas para o país às vésperas de vários momentos importantes como o segundo turno eleitoral, conflitos na Europa e Oriente Médio, crescimento da Inteligência Artificial e reforma tributária foram alguns dos temas abordados pelo economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, nesta terça-feira, em Criciúma. Bittencourt participou da reunião mensal da Regional Sul da FIESC, ressaltou a expectativa de que a economia brasileira siga atravessando um período de desaceleração antes de retomar um ritmo mais consistente de crescimento, com perspectivas de redução dos juros e recuperação da atividade econômica a partir do segundo semestre de 2027.
Esse cenário econômico foi um dos principais temas do encontro, coordenado pelo vice-presidente regional, Edilson Zanatta, reunindo representantes dos sindicatos patronais e representantes de diferentes setores da indústria da região.
Durante a exposição, Bittencourt destacou que a economia real vem respondendo ao ambiente macroeconômico, mas em ritmos diferentes entre os setores. Entre os principais desafios apontados está a necessidade de um ajuste fiscal estrutural, capaz de melhorar a trajetória da dívida pública sem comprometer a atividade econômica. Segundo o economista, o país precisa avançar em medidas permanentes de controle das despesas, e não apenas em ações pontuais que produzam resultados em um único ano.
Bittencourt explicou que o resultado estrutural das contas públicas é um dos indicadores mais importantes para compreender a situação fiscal do país, pois permite avaliar a relação entre receitas e despesas considerando a estrutura da economia e não apenas fatores extraordinários ou ciclos de atividade. “O déficit e o superávit são importantes, mas existe uma coisa mais importante: o resultado estrutural”, destacou.
Segundo o economista, o setor industrial vem sofrendo com as dificuldades de investimentos, impactados pelas altas taxas de juros. Por outro lado, avalia que a indústria vai receber um impacto positivo com a reforma tributária. “Para a indústria, o cenário fiscal e monetário tem impacto direto sobre o ambiente de negócios. Juros elevados encarecem o crédito e dificultam investimentos, enquanto o endividamento das famílias reduz a capacidade de consumo e, consequentemente, afeta a circulação de recursos na economia”, avalia.
Apesar dos desafios, o economista-chefe da FIESC demonstrou otimismo em relação às perspectivas futuras. A expectativa apresentada é de uma possível redução das taxas de juros em 2027, seguida de uma retomada mais consistente da atividade econômica no segundo semestre do ano. A projeção é de que o crescimento potencial possa ficar entre 2,6% e 3%, em um ritmo considerado mais saudável para a economia.
*Formação profissional acompanha demandas da indústria*
Outro tema da reunião foi a preparação de mão de obra para atender às necessidades futuras do setor produtivo. O gerente executivo do SESI/SENAI, Valmir Cabral, apresentou as perspectivas de educação profissional para 2027. A previsão é de que mais de 5.100 estudantes sejam atendidos pelos programas de formação, com 22 turmas concluindo cursos técnicos, 18 novas turmas de cursos técnicos, 32 novas turmas de aprendizagem industrial e 98 turmas de cursos profissionais.
De acordo com Edilson Zanatta, a participação das empresas será fundamental para definir as competências e os cursos que deverão ser priorizados pelo SENAI.
“Estamos pedindo aos nossos setores da economia que nos ajudem a preparar o SENAI para as empresas que eles querem no futuro. Que cursos e treinamentos serão necessários? Como devemos equipar um novo SENAI?”, explicou.
*Inovação social também esteve na pauta*
A reunião também contou com a apresentação do projeto Happy Face, pela sua presidente, Ana Luz. Ela apresentou os vários subprojetos ligados, como o programa Happy Gifted, realziado em parceria com a Betha Sistemas. A iniciativa busca estimular e potencializar as altas habilidades e a superdotação de crianças e adolescentes, fortalecendo autonomia, criatividade e confiança, além de oferecer apoio neuropsicológico e pedagógico.
Para Zanatta, a aproximação entre o projeto e o setor produtivo pode gerar benefícios que vão além do desenvolvimento individual das crianças. “Além de ajudar essas crianças a terem esse reconhecimento, elas podem ser beneficiadas com projetos em que esses pequenos gênios contribuam com soluções para problemas que não conseguiriam ser resolvidos de uma maneira convencional”, destacou.


