Exposição acontece na Secretaria do Turismo, situada na Praça João Costa – Calçadão, centro da cidade, onde permanecerá aberta à visitação pelo público até a próxima sexta-feira – 30 de janeiro
A mostra apresenta produções artísticas de Miguel Borges de Chaves, morador do Servidor Residencial Terapêutico (SRT) do município, e está exibida na Secretaria do Turismo, localizada na Praça João Costa – Calçadão, Centro. As obras evidenciam a arte como instrumento de expressão, sensibilidade e inclusão social, e marca a importância do cuidado com a saúde emocional.
A exposição permanecerá aberta à visitação pelo público até esta sexta-feira (30 de janeiro), convidando a comunidade a refletir em relação ao bem-estar psicológico e à valorização da saúde mental.
A arte é uma poderosa ferramenta de cuidado em saúde mental. “A exposição ‘Arte de Migue’ traduz o cuidado que queremos para as pessoas; um cuidado que acolhe, inclui e respeita as histórias de cada um. Então, a arte, um dos espaços importantes da terapia, abre caminho e devolve o sentido de pertencimento. Nossa missão é promover a reintegração das pessoas as suas famílias e à sociedade, com dignidade, respeito e oportunidades de reconstrução”, analisa a prefeita Carmen Zanotto.
Ao reunir 24 quadros, produzidos com diferentes técnicas e materiais, entre cores e desenhos, Miguel encontrou sua autonomia, unindo-se e entrosando-se ao processo de cuidado e reconstrução de si mesmo. “Aqui encontrei abrigo e liberdade. Antes, eu me sentia preso, como se estivesse vendo a vida por trás das grades, preso à depressão e ao desânimo. Com o carinho e incentivo de todos, comecei a pintar e foi aí que senti que estava melhorando. Hoje me sinto bem, estou feliz”, revela o artista Miguel.
História de Miguel
O artista Miguel Borges de Chaves, de 49 anos, chegou ao Serviço Residencial Terapêutico (SRT) em maio de 2024, por determinação judicial, em decorrência de seu estado de saúde debilitado em razão de uma situação de extrema vulnerabilidade social. À época, apresentava catarata bilateral, com importante comprometimento da visão, além de deficiência auditiva. Miguel possuía diagnóstico de transtorno mental e um quadro clínico que demandava cuidados contínuos.
Em junho de 2024 passou a frequentar as oficinas de artesanato do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) II, no bairro Pisani, quando houve o primeiro contato com atividades de pintura em papel. As práticas artísticas também começaram a ser realizadas no SRT, inicialmente com o uso de imagens impressas, que ele coloria com lápis. Com o passar do tempo, passou a se desafiar e criar seus próprios desenhos, evoluindo gradativamente para a pintura em telas.
As imagens retratadas em suas obras carregam lembranças marcantes de sua trajetória de vida. Miguel representa a mãe, falecida quando ele tinha apenas dez anos, a casa onde viveu, e monumentos da cidade que fazem parte da sua memória afetiva. Entre os quadros destaca-se também a obra “Por trás das grades”, que simboliza a forma como ele via a própria vida anteriormente, marcada pelo sentimento de aprisionamento e isolamento.
Atualmente, Miguel dedica-se à pintura de criações autorais, nas quais expressa sua sensibilidade, imaginação e vivência, expandindo cada vez mais sua liberdade criativa e autonomia artística.






