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Com João esfacelado, Garcia fica de dono do PSD catarinense

João Rodrigues saiu muito pequeno desta eleição. Muito pequeno. Terminou em terceiro, com 13,35% dos votos, atrás até de Gelson Merísio. Para quem pretendia enfrentar Jorginho Mello e assumir o comando político de Santa Catarina, o resultado foi um banho de realidade. A urna desmontou a pretensão.

O tamanho do tombo aparece numa comparação contundente: João recebeu 569.263 votos para governador. Júlia Zanatta conquistou 560.223 para deputada federal. Apenas 9.040 votos de diferença. São disputas distintas, evidentemente, mas o contraste é eloquente: uma candidatura à Câmara praticamente alcançou toda a votação do projeto estadual de João.

O Gazaniga de 2026

Há um paralelo com a eleição de 1986, há 40 anos. Naquele pleito, Pedro Ivo Campos, do então PMDB, venceu com 886.414 votos. Vilson Kleinübing, pelo PFL, chegou a 551.423. Amilcar Gazaniga, candidato do PDS apoiado pelo governador Esperidião Amin, ficou em terceiro, com 298.702 votos.

A candidatura de Gazaniga nasceu das dificuldades de composição do grupo governista. Depois da disputa interna que envolveu Henrique Córdova e Artenir Werner, Córdova desistiu de concorrer ao governo e buscou uma cadeira de deputado federal. Gazaniga acabou com a missão de representar o PDS. Kleinübing já havia encontrado abrigo no PFL.

Pedro Ivo levou o governo numa eleição de turno único. Kleinübing, mesmo derrotado, acumulou força: venceu a Prefeitura de Blumenau em 1988 e chegou ao governo estadual em 1990. Gazaniga ficou com o terceiro lugar e uma candidatura incapaz de acompanhar os dois principais concorrentes.

Guardadas as diferenças, João Rodrigues ocupou em 2026 o lugar de Gazaniga. Entrou na disputa com ambição de protagonista e terminou como coadjuvante. Há derrotas que projetam lideranças. A de João reduziu seu tamanho.

A outra derrota

O problema não acaba na votação para governador. João também sofreu uma derrota dentro do próprio campo partidário.

O PSD saiu das urnas com apenas quatro deputados: Júlio Garcia na Câmara Federal e Clésio Salvaro, Mário Motta e Napoleão Bernardes na Assembleia. Sem governador e sem senador, o partido terá sua sustentação parlamentar concentrada nesse pequeno grupo.

E é aí que Júlio Garcia ganha dimensão.

Além de conquistar a única cadeira federal do PSD, Júlio participou da sustentação das candidaturas de Mário Motta e Napoleão Bernardes e fez dobradinha no Sul com Salvaro, o estadual mais votado da legenda, com 58.480 votos. A articulação parlamentar preservada pelo partido passa diretamente por ele.

A leitura política é clara: João perdeu a eleição e a condição de ditar sozinho os rumos do PSD. Júlio ficou com o mandato federal, com as pontes para a bancada estadual e com os instrumentos para conduzir a reorganização da sigla.

João queria sair desta eleição como dono do governo. Saiu sem força para ser dono do próprio partido.

No PSD que restou, quem tem a chave é Júlio Garcia.

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