Coluna do dia

Desembarque

Ex-senador Paulo Bauer está distribuindo um texto de despedida. Comunica a amigos e a interlocutores que está deixando a Secretaria Especial da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro. O tucano ressalta que pretende ser candidato a prefeito de Joinville, desafio que exige a desincompatibilização de cargos públicos até o começo de abril. Depois desse período na antessala da Presidência da República, Bauer poderá usar a proximidade com Bolsonaro na campanha à prefeitura da maior cidade do estado, que ele vislumbra como forma de voltar ao cenário político estadual.

A saída do catarinense do cargo ocorre em meio a grande turbulência envolvendo o titular da pasta, Onyx Lorenzoni. A Casa Civil foi esvaziada a partir de alguns movimentos presidenciais. Primeiro, Jair Bolsonaro passou a articulação política ao general Luiz Eduardo Ramos. Nos bastidores, Onyx segue articulando, mas, oficialmente, perdeu o poder de negociação junto ao Congresso.

Mais recentemente, o presidente transferiu da Casa Civil ao Ministério da Economia o portentoso Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), deixando o ministro e o próprio Paulo Bauer praticamente sem funções. Nos bastidores, avalia-se que Bauer pode estar se antecipando à queda de Onyx Lorenzoni.

FRASE

“Reestruturação administrativa interna que está em andamento na Casa Civil me obrigaria a permanecer integralmente em Brasília, tornando minhas viagens à SC restritas, o que seria incompatível com a necessidade de convivência com meus filhos e demais familiares; com atividades empresariais que pretendo desenvolver e especialmente com as ações políticas que desejo realizar em Joinville, onde avalio a possibilidade de uma candidatura a Prefeito Municipal.” Paulo Bauer, em comunicado sobre sua saída da Casa Civil da Presidência

Corporativismo

O Plenário da Câmara dos Deputados rejeitou o afastamento do deputado Wilson Santiago (PTB-PB) determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello. Assim, o parlamentar pode voltar a exercer seu mandato, pois perde validade a medida cautelar do Supremo que o afastou em dezembro do ano passado.

Goleada

Foram 233 votos a favor do parecer do relator, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), que foi contrário ao afastamento. Outros 170 deputados votaram por manter o afastamento de Wilson Santiago. Para manter a decisão do ministro do STF, seriam necessários 257 votos a favor do afastamento (contra o parecer do relator).

Placar de SC

De Santa Catarina, 14 deputados votaram. Três foram favoráveis ao deputado Santiago, denunciado por corrupção. Na prática, seus colegas lhe devolveram o mandato. Pelo despacho do ministro do STF, o parlamentar colocou- se “a serviço de uma agenda criminosa.”

Foram solidários os catarinenses Carlos Chiodini, Rogério Peninha Mendonça, ambos do MDB, e Darci de Matos, do PSD. Celso Maldaner e Pedro Uczai não compareceram à sessão.

Cardápio

Na quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro ofereceu um almoço, no Palácio da Alvorada, aos chefes dos demais poderes da República. O tom ameno pode ter servido para distensionar as relações Executivo, Judiciário e Legislativo. O momento teve um tempero com cores de Santa Catarina. O secretário nacional da Pesca, Jorge Seif Jr., que é carioca mas tem negócios e residência em Itajaí, foi escalado para cozinhar. Serviu frutos do mar aos convivas. E arrancou elogios dos presentes. Sinal claro que Seif é hoje um dos homens de confiança do presidente da República.

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