A crise venezuelana já não comporta eufemismos. Às favas com o Direito Internacional e todo o mimimi dos defensores de ditadores brutais e sanguinários. Finalmente alguém fez algo de fato para dar um freio no avanço do narcotráfico na América Latina.
O que se vê não é apenas um governo em dificuldades, mas um regime que levou deliberadamente o país à ruína econômica, social e institucional como estratégia de sobrevivência política. Nicolás Maduro permaneceu no poder não por competência administrativa, legitimidade popular ou êxito econômico, mas pela combinação de repressão interna, captura das instituições e exploração oportunista das disputas geopolíticas globais.
Os números desmontam qualquer narrativa oficial. Desde 2014, a Venezuela sofreu uma das mais profundas contrações econômicas já registradas fora de um cenário de guerra. Em uma década, o PIB per capita encolheu cerca de dois terços, empurrando milhões de cidadãos para a pobreza extrema. A hiperinflação de 2018 — superior a 130 mil por cento — não foi um acidente histórico, mas o resultado previsível de políticas econômicas irresponsáveis, emissão monetária descontrolada e destruição da confiança na moeda. Ainda que a inflação tenha sido parcialmente contida, o bolívar segue praticamente inútil, e a dolarização informal é o atestado do fracasso do Estado em cumprir sua função básica.
O salário mínimo oficial, reduzido a um valor simbólico que não paga sequer uma refeição diária, expõe a falência moral do regime. O trabalho deixou de ser um instrumento de dignidade e passou a ser um ritual vazio. Um governo que normaliza salários incapazes de sustentar a vida abdica, na prática, de governar para sua população.
A espinha dorsal desse colapso é a destruição da própria base produtiva do país. A dependência absoluta do petróleo, somada à corrupção endêmica e à politização da PDVSA, transformou uma potência energética em um exportador decadente e ineficiente. O regime preferiu usar a estatal como instrumento de controle político e financiamento do poder, sacrificando investimentos de manutenção e governança. O resultado foi o sucateamento da indústria e a implosão de toda a economia ao redor dela.
No plano social, o quadro é ainda mais brutal. A escassez crônica de alimentos e medicamentos levou a uma crise de fome aberta. Três em cada quatro venezuelanos relataram perda de peso involuntária — um dado típico de cenários humanitários extremos. A pobreza, que alcançou quase 65% das famílias, não é efeito colateral, mas consequência direta de um regime que destruiu a capacidade do país de produzir, importar e distribuir bens essenciais.
Diante da miséria, a fuga tornou-se a única alternativa. Quase 8 milhões de venezuelanos abandonaram o país, configurando o maior êxodo da história recente da América Latina. Nenhum discurso anti-imperialista resiste a esse dado: populações não fogem em massa de países que funcionam minimamente.
O regime tenta transferir toda a responsabilidade para as sanções internacionais, sobretudo dos Estados Unidos. Trata-se de mentira deslavada usada como propaganda. As sanções agravaram dificuldades, sem dúvida, mas o colapso venezuelano começou anos antes, quando ainda não havia bloqueios severos. A destruição da economia é anterior, estrutural e autoinfligida. As sanções não criaram a corrupção, não politizaram a PDVSA e não impuseram a repressão institucional.
No tabuleiro geopolítico, Maduro sobreviveu como peça útil ao narcotráfico. As drogas, registre-se, são o grande produto de exportação de vários países da região, com o apoio explícito de Lula, do PT e da esquerda.
Viralizou, durante o fim de semana, um vídeo de Lula defendendo a eleição de Maduro para suceder Hugo Chávez. A deidade vermelha sempre foi muito próxima à dupla de ditadores. O próprio Fernando Henrique Cardoso já nutria simpatias pelo regime bolivariano. Pelo protagonismo do país, ou pelo protagonismo que o Brasil deveria ter, Lula e seus camaradas têm enorme responsabilidade sobre o desastre humanitário no país vizinho.
A responsabilidade de Lula é histórica e recente. Em 2023, recebeu o agora ex-ditador com tapete vermelho, rasgando os maiores elogios a Nicolás Maduro e afirmando, vejam só, que tudo o que se falava do venezuelano eram fake news. Em nenhum momento, por exemplo, o atual inquilino do Planalto contestou a eleição comprovadamente fraudada no país vizinho e que manteve o ditador no poder até a madrugada de sábado.
A Rússia enxerga a Venezuela como plataforma de provocação estratégica aos EUA no hemisfério ocidental. A China, mais pragmática, busca garantir retorno financeiro e influência, sem compromisso real com o bem-estar da população. Ambos sustentaram o regime não por afinidade ideológica, mas por conveniência geopolítica.
O resultado é um país sequestrado por interesses cruzados, enquanto sua população paga o preço. Maduro criou um território esvaziado, empobrecido e traumatizado. Seu poder foi se tornando cada vez mais dependente da coerção, do controle informacional e do apoio externo circunstancial. Isso não é estabilidade; é sobrevivência artificial. Tendo, repita-se, como pano de fundo o narcotráfico, esse câncer que corrói o continente.
O regime venezuelano não ruiu formalmente, mas já entrou em colapso funcional. Governa sem prosperidade, sem legitimidade e sem futuro. A Venezuela tornou-se a prova concreta de que projetos autoritários podem resistir por algum tempo, mas sempre deixam um rastro de destruição. E quando o poder se sustenta apenas na força e na negação da realidade, sua queda deixa de ser uma hipótese e passa a ser apenas uma questão de tempo.
Por fim, a se registrar a inoperância, a nulidade da Europa e desta instituição falida e aparelhada pela esquerda, chamada de ONU. Que não fez absolutamente nada em favor do povo da Venezuela assim como faz ouvidos moucos a outros povos oprimidos, perseguidos e que passam fome.
Portanto, parabéns a Trump e aos EUA que tiveram a coragem, e, sobretudo, a capacidade de fazer o que ninguém ousou sequer pensar de fato.
Vida longa aos venezuelanos e que essa vida seja a partir de agora sob um guarda-chuvas democrático, civilizado e próspero.
imagem>fotos públicas





